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Demanda e exportação limitadas restringem a produção de arroz no Brasil

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
2 outubro, 2024
em Mercado
Tempo de leitura: 4 minutos
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Home Mercado
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Queda no consumo e nas exportações impactam área plantada e produtividade no país

Em um artigo elaborado pelos pesquisadores do CEPEA, Lucilio Alves e Geraldo Barros, observa-se que o arroz ocupa a terceira posição em uso de área entre grãos e cereais produzidos mundialmente, ficando atrás apenas do trigo e do milho. Essa cultura é cultivada em cerca de 120 países, sendo os países asiáticos os principais produtores e consumidores. A produção e o consumo tendem a ser equilibrados em cada nação, com o comércio internacional representando pouco mais de 10% da oferta global. Um dos fatores que contribuem para a relativa autossuficiência no mercado mundial de arroz é a diversidade nas preferências por diferentes tipos de cereal, com o consumo local focado predominantemente no arroz produzido internamente.

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Embora o consumo global de arroz continue a crescer, essa expansão ocorre a taxas modestas. No Sudeste e Sul da Ásia, onde o consumo per capita é elevado, a diversificação das dietas tem levado à substituição do arroz por derivados de trigo. Em contrapartida, muitos países africanos estão aumentando o consumo do cereal, especialmente nas áreas urbanas.

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    Diante de um comércio limitado, os países que possuem capacidade de gerar excedentes enfrentam dificuldades para expandir suas exportações e, consequentemente, aumentar sua competitividade. Assim, o desempenho da produção em cada nação depende, em grande medida, do mercado interno, ou seja, do crescimento populacional e da renda per capita, adequadamente ponderada pela elasticidade-renda do consumo. No Brasil, a demanda nacional por arroz apresentou uma diminuição média de 0,57% ao ano desde a safra 2001/02, sendo que a redução foi de 1,2% ao ano desde 2010/11.

    As restrições ao consumo e à exportação resultaram em quedas acentuadas na área cultivada com arroz no Brasil. Comparando as últimas três safras (2022 a 2024) com o período de 2001 a 2005, a redução foi significativa, atingindo 54,5%. No entanto, a produção manteve uma tendência de crescimento até, pelo menos, a safra 2010/11. Nos anos subsequentes, apesar de oscilações, observou-se um declínio na oferta, embora em intensidade inferior à redução da área plantada. Destaca-se que houve um expressivo aumento de produtividade ao longo do século XXI, resultado do uso de cultivares de maior rendimento e aprimoramentos nas técnicas de cultivo.

    Essa reestruturação na produção favoreceu uma maior concentração da oferta no Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, elevando, assim, a relevância das questões logísticas para atender à demanda em diferentes regiões. O Brasil, que geralmente apresenta pequenos superávits no comércio externo de arroz, também realiza frequentes importações do Paraguai, Argentina e Uruguai. No geral, os volumes importados e exportados são bastante semelhantes, com as compras ocorrendo em anos de menor produção e as vendas externas crescendo em anos de excedente.

    Entre os anos 2000 e 2009/10, o Brasil foi tipicamente um pequeno importador líquido, transformando-se em um modesto exportador líquido desde então. No período de 2001 a 2024, o país foi exportador líquido em 12 anos e importador líquido em 11. Em média, tanto as exportações quanto as importações de arroz corresponderam a 9% da produção nacional nesse intervalo.

    Quanto ao comportamento dos preços do cereal no mercado interno, estes tendem a seguir as cotações internacionais, em um sistema aproximado de Paridade de Preços Internacionais (PPI), apesar de a participação efetiva do Brasil no comércio externo de arroz ser reduzida. Ao comparar o índice de preços do arroz Indica, elaborado pela FAO para o mercado internacional, e o Indicador do arroz em casca CEPEA/IRGA, para o Rio Grande do Sul, nota-se que os valores praticados no Brasil tendem a seguir uma tendência semelhante ao Indica ajustado. Na média dos últimos 23 anos, os preços internos superaram, em média, em 8,8% o índice da FAO ajustado.

    É relevante ressaltar que, de 2005 a 2024, apesar da instabilidade dos preços e do desconforto que isso pode causar, o valor real do arroz no Brasil manteve-se estável, apresentando uma taxa de crescimento de apenas 0,12% ao ano.

    Ao analisar a evolução dos índices de preços do arroz em casca ao produtor, do arroz beneficiado, no atacado e no varejo, observa-se maior variabilidade nas cotações ao produtor, seguidas pelas do atacado. Além disso, existe um certo atraso nas variações de preços entre o arroz em casca e o varejo.

    Em suma, a produção de arroz no Brasil tem permanecido relativamente estável nos últimos 20 anos, assim como os preços reais (exceto em períodos atípicos). O significativo aumento de produtividade tem assegurado que o abastecimento interno mantenha-se alinhado à demanda efetiva, que caiu cerca de 10% entre 2000 e 2023, compensando a redução da área cultivada. Portanto, não há necessidade de maiores intervenções, uma vez que o mercado tem funcionado de forma eficiente, promovendo exportações e importações conforme as condições de oferta e demanda.

    Fonte: Portal do Agronegócio

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