Em maio, o valor desembolsado no Plano Safra 2025/26 – iniciado em 1º de julho – alcançou R$ 305,611 bilhões em financiamentos para pequenos, médios e grandes produtores. Os dados foram coletados no Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor/BCB) do Banco Central.
O montante desembolsado nos 11 meses do plano agrícola e pecuário corresponde a 75,3% do total disponível para a safra, de R$ 405,9 bilhões, sem incluir Cédulas de Produto Rural (CPRs). O valor ficou 12% abaixo do desembolsado para produtores em igual período da safra 2024/25, de R$ 346,376 bilhões.
Até o fim de maio, foram realizados 2,145 milhões de contratos em todas as modalidades, 3% mais que o total registrado em igual período da temporada anterior, de 2,082 milhões de contratos. Na safra atual, observa-se menor desempenho do crédito oficial desde o primeiro mês da temporada.
Os produtores estão retraídos na demanda por novos financiamentos dada a conjuntura adversa do setor e dos juros elevados e agentes financeiros mais seletivos na concessão de crédito, em virtude do elevado nível de endividamento do setor agropecuário.
Neste cenário, cresce o uso dos produtores rurais por fontes privadas de financiamentos, como as CPRs, como alternativa ao crédito tradicional.
Levantamento mais recente do Ministério da Agricultura aponta para R$ 391,164 bilhões liberados nos dez meses da safra para agricultura empresarial, até abril, incluindo recursos de Cédulas de Produto Rural (CPRs) direcionadas – CPRs de produtores financiadas pelos bancos a partir de recursos captados pela emissão das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs).
Considerando os R$ 166,981 bilhões liberados via CPRs de julho a março, há retração de 5% no desembolso da safra na agricultura empresarial (médios e demais produtores) ante o ciclo anterior.
Modalidades e programas
Os financiamentos para custeio somaram R$ 163,9 bilhões em desembolso de julho a maio, 12,5% abaixo de igual período do ano-safra anterior, em 683.184 contratos.
O valor concedido nas linhas de investimento foi de R$ 76,628 bilhões no período, 17,6% menos que na temporada passada, em 1,449 milhão de contratos.
As operações de comercialização atingiram R$ 32,679 bilhões (queda de 27%), em 11.559 contratos, e as de industrialização totalizaram R$ 32,404 bilhões (alta de 53%), em 1.654 contratos, em onze meses da safra.
No período, 1,807 milhão de contratos de crédito foram firmados pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), alcançando R$ 60,541 bilhões ao fim de maio, alta de 1,9% ante o ano-safra anterior.
No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) foram registradas 182.664 operações, totalizando R$ 55,806 bilhões nos onze meses do ano-safra, alta de 3% em um ano.
Outros 155.077 contratos foram realizados por grandes produtores, o que correspondeu a R$ 189,264 bilhões em financiamentos de julho a maio na safra 2025/26, retração de 18,7% em relação a igual período do ano passado.
A região Nordeste reportou o maior número de contratos realizados nos 11 meses da safra, com 1,131 milhão de operações, com R$ 31,619 bilhões financiados. Na sequência, consta o Sul, com 478.364 contratos, e maior valor contratado, de R$ 102,195 bilhões.
O Sudeste registrou 328.123 operações de crédito rural de julho a maio, somando o total de R$ 80,089 bilhões. No Norte, foram firmados 106.603 contratos, alcançando a liberação de R$ 20,824 bilhões. No Centro-Oeste, foram reportadas 100.731 operações, somando R$ 70,883 bilhões.
O valor médio por contrato na base nacional foi de R$ 142,468 mil ao fim dos onze meses do ano-safra atual, queda de 14,4% ante igual período da temporada passada.
Em relação às fontes de recursos do crédito rural, R$ 99,309 bilhões foram provenientes de Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) a taxas livres e controladas. As LCAs continuam como a principal fonte do crédito rural oficial na safra 2025/26.
Na sequência, aparecem os recursos obrigatórios respondendo por R$ 71,469 bilhões. Outros R$ 70,387 bilhões de julho a maio deste ano foram provenientes dos recursos da poupança rural controlados e livres.
No Plano Safra 2025/26, o governo ofereceu R$ 78,2 bilhões para agricultura familiar, R$ 69,1 bilhões para médios produtores por meio do Pronamp, R$ 258,6 bilhões em recursos para demais produtores e cooperativas e R$ 188,5 bilhões de CPRs originadas de recursos com direcionamento obrigatório para demais produtores.
Somando médios e grandes produtores, foram ofertados R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial, incluindo as CPRs direcionadas. Ao todo, o valor ofertado na safra é de R$ 594,4 bilhões.
Por: Isadora Duarte | Fonte: Agência Estado
Clique AQUI, entre no canal do WhatsApp da Visão Agro e receba notícias em tempo real.















