Fenômeno climático pode causar seca na Índia e Tailândia, afetando a produtividade da cana e da beterraba na Europa
O mercado global de açúcar entrou em uma fase de maior volatilidade diante de sinais de oferta mais apertada e riscos climáticos em importantes produtores.
A Índia está no centro das atenções. Depois de registrar forte alta dos preços domésticos, o país autorizou a importação de 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem tarifa. A expectativa inicial era de maior pressão sobre a oferta internacional.
O movimento, porém, perdeu força rapidamente. Com a queda dos preços internos, usinas e refinarias indianas devem importar apenas cerca de 500 mil toneladas, metade da cota autorizada. A redução da demanda potencial limita o impacto altista sobre as cotações internacionais.
Mesmo assim, o cenário global continua sensível. A Índia estima estoques finais de cerca de 3,9 milhões de toneladas, 25% abaixo do ciclo anterior e 40% inferiores à média de cinco anos.
Produção mundial
O balanço global projetado pelo USDA também ajuda a explicar a atenção do mercado. A estimativa para a produção mundial de açúcar em 2026/27 é de cerca de 184,9 milhões de toneladas, queda de aproximadamente 1,2 milhão de toneladas em relação à temporada anterior. As exportações globais também devem recuar, para cerca de 62,3 milhões de toneladas.
A redução da oferta ocorre mesmo com uma recuperação importante da produção indiana. O USDA estima que a Índia produza 35,3 milhões de toneladas, alta de cerca de 26% sobre o ciclo anterior, depois dos impactos provocados pelo El Niño.
O problema é que a recuperação indiana não elimina os riscos em outros polos produtores.
El Niño volta ao radar
O El Niño é, hoje, um dos principais riscos para a oferta mundial de açúcar. O fenômeno pode provocar períodos mais secos em regiões produtoras de cana da Índia e da Tailândia, além de afetar áreas de beterraba na Europa. A possibilidade de menor disponibilidade de água e chuvas irregulares aumenta a incerteza sobre a produtividade da próxima safra.
Nas Filipinas, por exemplo, o USDA já projeta queda de 1% na produção de açúcar em 2026/27, para 1,93 milhão de toneladas, justamente em razão dos potenciais efeitos do El Niño.
Na Tailândia, outro importante exportador, o USDA prevê produção de 10,3 milhões de toneladas, alta de 2%, mas os estoques devem cair à medida que as exportações avançam.
O resultado é um mercado dividido. De um lado, a recuperação da produção indiana e a possibilidade de a Índia comprar apenas metade da cota de importação reduzem a pressão imediata sobre os preços.
De outro, estoques menores, queda da produção global e o risco climático associado ao El Niño mantêm elevado o prêmio de risco.
Por: Luciana Franco | Fonte: CNN Brasil
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