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Grãos: CNA, federações e Conab vão estudar corredores logísticos do Nordeste

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
11 julho, 2022
em Grãos, Mundo Agro, Tecnologia
Tempo de leitura: 4 minutos
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Home Culturas Grãos
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Estudo é uma demanda antiga do setor, diante da necessidade de conclusão das obras de algumas rodovias que passam pela região, como a BR-020

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), as federações de agricultura dos estados e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estão discutindo uma proposta de estudo para fazer um diagnóstico dos corredores logísticos do Nordeste. O objetivo é melhorar a eficiência do escoamento de grãos para os portos da região.

O assunto foi tema da reunião da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da CNA, na última semana. Segundo o presidente da Comissão e da Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba (Faepa-PB), Mário Borba, o estudo é uma demanda antiga do setor, diante da necessidade de conclusão das obras de algumas rodovias que passam pela região, como a BR-020, que sai de Brasília e percorre os estados da Bahia, Piauí e Ceará.

“A conclusão dessa rodovia é muito importante para a região do Semiárido, onde a produção de grãos e a pecuária têm crescido nos últimos anos. Precisamos unir esforços do setor para discutir formas de como melhorar a infraestrutura e logística e atender à necessidade do Nordeste”, disse Mário Borba, que também é vice-presidente da CNA.

Matopiba

Durante o encontro, o superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Luiz Freire, afirmou que um dos motivos para a execução do estudo é a relevância da produção e exportação de soja, milho e algodão nas áreas dos estados que compõem o Matopiba (partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

Na safra 2020/2021, os estados foram responsáveis por produzir 16 milhões de toneladas de soja e 8 milhões de toneladas de milho. De acordo com dados do Comexstat, no ano passado, o porto de Itaqui, no Maranhão, exportou 7,8 milhões de toneladas de soja. Já o porto de Salvador, na Bahia, embarcou cerca de 3 milhões de toneladas do grão.

Segundo Freire, os principais objetivos do estudo são:

dimensionar o mercado de grãos do Matopiba;
estimar perspectivas de crescimento do agro, com foco em soja, milho e algodão;
fazer diagnóstico sobre os atuais gargalos operacionais e logísticos;
sugerir parâmetros para projetos de infraestrutura de armazenagem, portuária e equipamentos ferroviários que atendam o mercado agropecuário da região.

O ponto de partida do estudo é a Bahia, com suas conexões já existentes no Matopiba e Sealba (Sergipe, Alagoas e Bahia). “A proposta é acompanhar as estruturas que estão sendo criadas na Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), que atravessa o estado, ligando a Ferrovia Norte-Sul aos portos de Ilhéus, Itaqui e Porto Sul, além da continuação dos investimentos nas
rodovias BR-020 e BR-242, estabelecendo campos de interesse para o avanço do agro”.

Ferrogrão

Outro tema discutido no encontro foi o projeto da Ferrogrão, ferrovia que vai conectar Mato Grosso a terminais portuários no Pará, reduzindo os custos logísticos de transporte da produção agropecuária nas regiões Norte e Centro-Oeste do país. Pelo projeto, são 933 quilômetros de extensão, ligando Sinop (MT) a Miritituba (PA).

“Apesar de fazer a ligação de apenas dois estados, a Ferrogrão vai trazer benefícios para o Brasil como um todo, como o aumento da competitividade e oferta ferroviária no país. Hoje, o frete ferroviário se equivale ao rodoviário porque o preço não é balizado. A exemplos de outros países, o frete de ferrovia deveria ter 30% menor do que o de rodovia”, afirmou a assessora técnica da comissão, Elisangela Pereira Lopes.

Na reunião, a diretora de operações da Hidrovias do Brasil, Gleize Gealh, falou sobre a importância da construção da ferrovia para aumentar o escoamento de grãos para os portos da região Norte, reduzindo a concentração do Sudeste. Segundo ela, as exportações de grãos de Mato Grosso devem dobrar em 2030.

“Se a Ferrogrão não for concluída, esse escoamento será concentrado para os portos de Santos. Ou seja, a ferrovia é a única
alternativa que garante ao Pará a relevância atual no cenário logístico brasileiro”, disse ela.

Em 2030, sem a Ferrogrão e com extensão da Malha Norte, seriam exportados pelo Pará 12,8 milhões de toneladas de seja e milho de Mato Grosso. Com a Ferrogrão, esse valor subiria para 33,9 milhões de toneladas.

Atualmente, o projeto da Ferrogrão aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) em razão da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6553, movida pelo PSOL, que questiona a alteração dos limites de uma área e pede a
suspensão do processo para implantar a ferrovia no Pará.

A CNA participa do julgamento da ADI como amicus curiae. O assessor jurídico da entidade, Rodrigo Kaufmann, disse que o relator da matéria é o ministro Alexandre de Moraes, que concedeu liminar a favor da suspensão do processo.

Portal de Armazéns do Brasil

Por fim, o gerente de Cadastro e Credenciamento de Armazéns da Conab, Saulo Tomiyoshi, apresentou o “Portal de Armazéns do Brasil”, que reúne uma base de dados dos armazéns brasileiros. Para se cadastrar, basta entrar no site, fazer a solicitação e aguardar a visita técnica para a coleta das informações. O Sistema de Cadastro Nacional de Unidades Armazenadoras (Sicarm) tem 16.906 armazéns, com 177,6 milhões de toneladas de grãos cadastradas.

A nova vice-presidente da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura, Luana Belusso, foi apresentada aos participantes da reunião. Luana é produtora de milho, soja, feijão, e arroz e gerente administrativa e financeira da Fazenda Concórdia em Sorriso (MT).

Ela é engenheira agrônoma, coordenadora Regional do Agroligadas, diretora da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Sorriso e delegada da Aprosoja de Mato Grosso. Em 2016, participou do Programa CNA Jovem e ficou entre os destaques.Fonte: Agência SAFRAS

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