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Índia lança combustível com 85% de etanol e pode abrir novas oportunidades para o mercado brasileiro

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
9 junho, 2026
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Novo combustível será mais barato que a gasolina E20 e faz parte da estratégia do país para reduzir a dependência do petróleo; avanço pode aumentar a demanda global por etanol e impactar também o mercado de açúcar

A Índia deu mais um passo em sua estratégia de expansão dos biocombustíveis e lançou oficialmente um novo combustível com 85% de etanol e 15% de gasolina: o E85. A iniciativa reforça o compromisso do país com a redução da dependência de combustíveis fósseis e pode trazer reflexos importantes para os mercados globais de etanol e açúcar.

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O anúncio foi feito pelo ministro do Petróleo da Índia, Hardeep Singh Puri, durante evento realizado em um posto da Indian Oil Corp., em Nova Déli,  na sexta-feira (5). Segundo o governo, o novo combustível chegará inicialmente a cerca de 50 postos de abastecimento e deverá ser expandido gradualmente para até 500 unidades ainda este ano. O plano prevê alcançar entre 50 e 100 postos em 2026 e aproximadamente 5 mil pontos de venda até 2027.

Atualmente, a Índia comercializa em todo o país a gasolina E20, que contém 20% de etanol. Com a chegada do E85, o governo aposta em uma alternativa ainda mais sustentável e economicamente atrativa para os consumidores.

Além do apelo ambiental, o novo combustível será cerca de 20 rúpias por litro mais barato que a gasolina E20, o equivalente a uma economia próxima de 20% para o consumidor final.

Demanda por etanol pode crescer
A Índia é atualmente o terceiro maior consumidor e importador de petróleo do mundo e tem ampliado seus investimentos em combustíveis renováveis para reduzir sua vulnerabilidade às oscilações do mercado internacional de energia.

De acordo com o ministro Hardeep Puri, o país possui capacidade instalada para produzir cerca de 19 bilhões de litros de etanol por ano. Hoje, aproximadamente 11,5 bilhões de litros já são destinados ao programa de mistura obrigatória de combustíveis.

A introdução do E85 surge justamente como uma forma de ampliar o consumo doméstico do biocombustível. Caso a adesão dos consumidores seja significativa, especialistas avaliam que a Índia poderá precisar recorrer ao mercado internacional para complementar sua oferta.

Nesse cenário, o Brasil desponta como um dos principais candidatos a atender parte dessa demanda. O país é um dos maiores produtores mundiais de etanol e produziu mais de 37 bilhões de litros em 2025.

Reflexos também para o açúcar

O avanço do programa de etanol indiano pode ter impactos além do mercado de combustíveis.
Como grande parte do etanol produzido no país tem origem na cana-de-açúcar, um aumento da demanda pelo biocombustível tende a direcionar mais matéria-prima para a fabricação de etanol e menos para a produção de açúcar.
Historicamente, esse movimento reduz a disponibilidade do adoçante no mercado internacional e abre espaço para maior participação de exportadores como o Brasil, líder mundial na produção e exportação de açúcar.

Por isso, analistas acompanham com atenção a evolução do programa indiano, que pode alterar o equilíbrio global tanto do mercado de etanol quanto do açúcar nos próximos anos.

Alternativa aos veículos elétricos

A estratégia indiana também reflete os desafios enfrentados pela eletrificação da frota no país.
Apesar dos incentivos governamentais, a adoção de veículos elétricos ainda avança lentamente devido ao alto custo dos automóveis e à limitada infraestrutura de recarga disponível.

Nesse contexto, os veículos preparados para utilizar combustíveis com alto teor de etanol surgem como uma alternativa mais acessível para reduzir o consumo de derivados de petróleo sem exigir grandes investimentos em infraestrutura.

O governo apresentou, inclusive, novos modelos compatíveis com o E85, entre eles motocicletas da Hero MotoCorp e o hatch Wagon R, da Maruti Suzuki.

A aposta ocorre em um momento de forte crescimento do consumo de combustíveis. Nos últimos cinco anos, a demanda por gasolina na Índia aumentou cerca de 9% ao ano, impulsionada principalmente pela ampla utilização de motocicletas e veículos de duas rodas.

Embora o governo demonstre confiança no novo combustível, especialistas ainda acompanham discussões sobre possíveis impactos de misturas com elevado teor de etanol no desempenho e na durabilidade dos motores. As autoridades indianas, porém, afirmam que experiências anteriores com o E20 já demonstraram ganhos em eficiência, desempenho e redução das emissões de carbono, benefícios que poderão ser ampliados com a chegada do E85.

Fonte: Notícias Agrícolas

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