sábado, maio 30, 2026
Visão Agro - A melhor Visão do Agronégócio
  • NOTÍCIAS
  • EXCLUSIVAS
  • NOSSOS EVENTOS
  • QUEM SOMOS
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Visão Agro - A melhor Visão do Agronégócio
  • NOTÍCIAS
  • EXCLUSIVAS
  • NOSSOS EVENTOS
  • QUEM SOMOS
Visão Agro - A melhor Visão do Agronégócio
Nenhum resultado
Ver todos os resultados

Pergunta que não quer calar no setor canavieiro: por que a produtividade da cana não evolui no Centro-Sul?

Maria Reis por Maria Reis
15 outubro, 2025
em Cana de Açúcar
Tempo de leitura: 8 minutos
A A
0
Home Culturas Cana de Açúcar
Compartilhe no WhatsappShare on TwitterCompartilhe no Linkedin

Mesmo com a constante liberação de novas variedades, por que não vemos mudanças significativas?

A cana-de-açúcar é uma cultura semiperene, de clima quente e úmido, dispondo de manejos específicos para atingir seu pleno desenvolvimento e, consequentemente, o retorno esperado. Dessa forma, entendemos que práticas alheias aos padrões adequados irão fatalmente refletir em seus resultados, inclusive em sua produtividade.

Leia mais

Centro-Sul fecha safra com 611,15 milhões de toneladas e etanol ganha peso no planejamento das usinas

Safra de cana 2026 em SP começa antecipada e usinas ampliam aposta na produção de etanol

Safra 2026/27 expõe pressão sobre custos no setor sucroenergético, apontam especialistas

Moagem de cana tem queda nas regiões Norte e Nordeste

Nos últimos anos, temos convivido com uma acentuada queda e/ou estagnação das produtividades nas usinas. Com exceção de uma minoria, todas tiveram uma redução de TCH (toneladas de colmos por hectare) nas últimas safras. Tal redução em relação às safras anteriores ocorre mesmo que nas fases de seleção e estudo para a liberação da variedade, os clones são submetidos invariavelmente em competição com as principais variedades comerciais exploradas pelo setor, onde estas variedades são utilizadas como padrões/testemunhas nos ensaios dos órgãos de pesquisa. Após as diversas fases de competição, seleção, condições edafoclimáticas e anos de avaliação a que esses materiais são submetidos, os melhores que superaram as variedades comerciais são liberados para o plantio comercial, obviamente são os clones que se mostraram superiores nos diversos indicadores de desempenho avaliados, como: produtividade em cana planta e soqueiras, riqueza, sanidade (doenças e pragas), colheitabilidade, isoporização, etc, ou seja, os que tiveram uma performance superior as variedades comerciais cultivadas pelas usinas.

Ademais desse processo, temos nos deparado ainda com a incógnita de não estarmos obtendo o incremento esperado na produtividade, ou melhor, somente um pequeno aumento no TCH ou uma manutenção linear com pequenas oscilações nas produtividades obtidas em safras anteriores.

Sabemos que o Brasil é o maior produtor e exportador de açúcar do mundo e o segundo maior produtor de etanol. Nas últimas décadas, o crescimento desta commodity foi gigantesco, e para atender a demanda, fez-se necessário a expansão das áreas de cultivo de cana. Assim, diante dessa necessidade, uma conjunção de diversos fatores acabou inevitavelmente impactando esse cenário de estancamento das produtividades, a saber:

1 – Expansão da área de cana em áreas até então não cultivadas com cana-de-açúcar (pastagens, eucaliptos, citrus), ou seja, não somente nas áreas mais férteis;

2 – Problemas com nutrição e manejo, alta dos preços – agravado com as últimas crises políticas e econômicas (interna e externa) – pandemia da Covid-19 e guerras entre países fornecedores de fertilizantes ao Brasil;

3 – Diminuição das áreas de reforma e consequente aumento do número médio de corte (historicamente, a taxa média de renovação do canavial era de 17%; atualmente está próxima de 14%);

4 – Antecipação do início das safras e postergação do final das safras. Há um tempo não muito distante, as safras começavam em maio e encerravam em outubro/novembro. Hoje, porém, é muito comum iniciarem em março e terminarem em dezembro – há, inclusive, algumas unidades que moem cana praticamente o ano todo;

5 – Idade média de corte;

6 – Plantio de cana de ano, cana de inverno e em algumas usinas plantio o ano inteiro;

7 – Concomitantemente aos eventos elencados acima, atualmente a quase totalidade da colheita é mecanizada e a cana sem queimar. Anteriormente o cenário era de uma área representativa de colheita manual e de cana queimada, onde se ateava fogo nos canaviais a serem colhidos, o que era positivo em termos de produtividade e menos perdas de matéria-prima;

Enfim, mudanças importantes que ocorreram nos últimos anos no manejo tradicional até então aplicado e que, certamente, contribuíram para a redução da produtividade e/ou um range aproximado entre as últimas safras.

É evidente que, em virtude dos diferentes “anos agrícolas” que atravessaram esses canaviais, houve também influências de clima, temperatura, chuvas e outras variáveis. De todo modo, o que gostaria de pontuar é que, nos últimos anos, mesmo com o avanço de tecnologias que vem sendo aplicadas no melhoramento genético e desenvolvimento de novas variedades de cana, os fatores elencados acima interferem direta e substancialmente na redução ou manutenção da produtividade, reagindo de uma forma inversa ao acréscimo esperado da produtividade dos novos materiais liberados e ao seu manejo (Consulcana 2025).

Outra varável também muito importante são as alterações constantes e reposições no elenco varietal, onde, se não fossem esse dinamismo no desenvolvimento e liberação de novos materiais genéticos promissores e variedades com características superiores às já existentes, o cenário, indubitavelmente, estaria ainda pior e muito mais desafiador.

Não há dúvidas do grande serviço que órgãos de pesquisa como CTC, IAC, Ridesa e algumas universidades prestam para o setor no desenvolvimento e liberação de novas variedades de cana-de-açúcar. Trata-se de uma árdua e importante tarefa que não tem fim, pois é uma busca permanente por novos clones superiores e futuras variedades que atendam à necessidade incessante do setor.

O que podemos fazer para alavancarmos a produtividade além das liberações de novas variedades?

Sabe-se que a cana-de-açúcar é uma cultura altamente responsiva à água, fazendo com que esse insumo por si só já traga um enorme resultado positivo na busca pela produtividade, aliado ao clima quente e a horas de luz adequada. Esses elementos (água, temperatura e luz) talvez expliquem ou justifiquem porque o Brasil é o maior produtor de cana-de-açúcar e seus derivados do mundo.

Não obstante aos fatores citados como impactantes na dificuldade em alcançarmos produtividades outrora obtidas, assim como alavancarmos as produtividades atuais, podemos relembrar um estudo realizado pelo fisiologista, Paul H. Moore (2009), Hawaii Agricultural Research Center (Centro de Pesquisa Agrícola do Havaí), onde aponta o potencial teórico máximo da cana-de-açúcar em 472 t/ha. Logo, a cana-de-açúcar por ser uma planta altamente responsiva água, não podemos deixar de citar que a irrigação na cana é fundamental para o incremento de sua performance em produtividade, sendo uma das principais iniciativas numa busca por uma evolução nas toneladas de colmos por hectare.

Nota-se também, nos últimos anos, uma troca significativa no plantel de variedades, onde materiais que ocupavam e/ou eram cultivados comercialmente em grandes áreas foram cedendo espaço para novos materiais promissores aliando: riqueza, sanidade, colheitabilidade, diversidade quanto aos ambientes de produção (solos) e longevidade.

*Safra 2025/26 (parcial)

O maior desafio para nós, profissionais que trabalhamos no setor, é utilizarmos as tecnologias disponíveis no mercado, as novas variedades, adequar o manejo e buscamos alcançar, nas áreas com potencial, os três dígitos de TCH (tonelada de colmo por hectare) ou próximo disto, sem contudo, não esquecer do ATR (açúcar total recuperável), pois entendemos também que não podemos só focar na produtividade e esquecermos o ganho e a evolução que obtivemos nos últimos anos na qualidade tecnológica da matéria-prima.

É importante ressaltar que a alocação correta das variedades não traz nenhum custo adicional, pois o custo da operação sendo realizada da forma correta ou errada será o mesmo. Sendo assim, fazer a escolha da variedade a ser plantada de forma assertiva, equalizando épocas de plantio, colheita (materiais para início, meio e fim de safra) e o plantio sendo realizado no ambiente de produção adequado, sem dúvida alguma já seria um grande salto na performance e retorno econômico, onde consequentemente, não haverá a necessidade de conviver com uma decisão equivocada e esperar cinco ou seis cortes (anos) para corrigir um eventual erro cometido na formação do canavial.

Devemos buscar o manejo ótimo, equalizando o elenco varietal de acordo com os ambientes de produção disponíveis na usina, se necessário, investir em mudas de variedades que talvez a usina não tenha, e insisto, principalmente fazer a alocação nas áreas adequadas, sem deixar a logística e/ou a muda mais próxima serem o fator determinante na tomada de decisão de qual variedade plantar na área a ser reformada, incorrendo num erro que depois custará anos para ser corrigido, ou seja, até a próxima reforma da área.

Vale destacar também alguns outros fatores no manejo que são fundamentais e contribuem para elevação da produtividade:

  • Estratégias adequadas de plantio, visando mitigar canavial com falhas;
  • Redução de perdas na colheita (trasbordo, pisoteio, transporte);
  • Caminhamento coerente de safra;
  • Nutrição sem economia de acordo com a análise/necessidade do solo;
  • Investir em irrigação visando abranger a maior área possível dos canaviais;
  • Fatores redutores de produtividade agrícola sob controle (pragas, doenças e ervas daninhas);
  • Ponto ideal de reforma;
  • Escolha e alocação correta da variedade no ambiente de produção (solo), ponderando inclusive questões logísticas.

Com estas variáveis sob controle e um mínimo investimento, é factível buscamos e alcançarmos este incremento na produtividade que tanto é questionado pelo setor nas últimas décadas, e que com certeza, trará o retorno esperado em toneladas de colmo por hectare. Reduzir custos com economia na adubação, com a logística no transporte de mudas de variedades equivocadas somente por estarem mais próximas da área de plantio, não investir na irrigação dos canaviais, assim como outras práticas habitualmente encontradas, são decisões muito comuns, práticas e fáceis de serem tomadas, mas que não são as mais assertivas para quem busca aumento de produtividade. Temos que aceitar e comprar a ideia de que não conseguiremos o aumento da produtividade se não investirmos num manejo racional para alcançamos tal objetivo.

Por: Fábio Vidal Mina Junior | Fonte: RPA News

Clique AQUI, entre no canal do WhatsApp da Visão Agro e receba notícias em tempo real.

SendTweetCompartilhar
Artigo anteiror

Produtividade da cana é 6,5% inferior à da safra passada, aponta CTC

Próximo post

Cade abre inquérito administrativo para investigar suposta venda casada pelo BB

Maria Reis

Maria Reis

Notícias Relacionadas

Conab inicia levantamento sobre safra 2025/26 de cana-de-açúcar em 19 estados brasileiros

Centro-Sul fecha safra com 611,15 milhões de toneladas e etanol ganha peso no planejamento das usinas

28 maio, 2026
Conab inicia levantamento sobre safra 2025/26 de cana-de-açúcar em 19 estados brasileiros

Safra de cana 2026 em SP começa antecipada e usinas ampliam aposta na produção de etanol

25 maio, 2026
Safra 2026/27 expõe pressão sobre custos no setor sucroenergético, apontam especialistas

Safra 2026/27 expõe pressão sobre custos no setor sucroenergético, apontam especialistas

22 maio, 2026
Centro-Sul deve moer 598,8 mi t de cana na safra 2025/26, queda de 3,7%, avalia StoneX

Moagem de cana tem queda nas regiões Norte e Nordeste

21 maio, 2026
SCA Brasil projeta moagem de cana 5,4% menor no Centro-Sul em 2025/26

Pecege revisa moagem para 635,5 milhões de toneladas, mas reduz projeção do ATR

19 maio, 2026
Cana-de-açúcar traz bons resultados para Pernambuco na safra 2022/2023

StoneX projeta déficit global de açúcar em 2026/27 e vê mudança estrutural no balanço

14 maio, 2026
Fornecedores de cana no NE pedem a Motta subvenção dentro do PL dos combustíveis

Fornecedores de cana no NE pedem a Motta subvenção dentro do PL dos combustíveis

12 maio, 2026
Altair Pinsetta, da Valley, destaca avanços da irrigação no setor

Altair Pinsetta, da Valley, destaca avanços da irrigação no setor

9 maio, 2026
Conab inicia levantamento sobre safra 2025/26 de cana-de-açúcar em 19 estados brasileiros

Centro-Sul encerra safra 2025/2026 com 611 milhões de toneladas de cana e inicia novo ciclo com foco no etanol

7 maio, 2026
Moagem de cana no Centro-Sul cresce 10,68% na segunda quinzena de agosto, mas recua no acumulado

Safra de cana-de-açúcar 2026/27 começa com aceleração na moagem

1 maio, 2026
Carregar mais
Próximo post
Cade abre inquérito administrativo para investigar suposta venda casada pelo BB

Cade abre inquérito administrativo para investigar suposta venda casada pelo BB

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais lidas da semana

  • Trending
Raízen desinveste R$ 3,6 bilhões em simplificação de portfólio

Credores já não contam mais com aporte de R$ 500 milhões de Ometto na Raízen

27 maio, 2026
Projeto no Rio Grande do Sul aposta no arroz para produção de etanol e combustível sustentável de aviação

Projeto no Rio Grande do Sul aposta no arroz para produção de etanol e combustível sustentável de aviação

25 maio, 2026
Raízen se mantém na liderança entre os maiores grupos sucroenergéticos por toneladas moídas; veja a lista completa

Raízen se mantém na liderança entre os maiores grupos sucroenergéticos por toneladas moídas; veja a lista completa

26 maio, 2026
Acelen Renováveis inicia implantação de biorrefinaria de US$ 1,5 bilhão na Bahia

Acelen Renováveis inicia implantação de biorrefinaria de US$ 1,5 bilhão na Bahia

25 maio, 2026
Etanol ganha força em análise de ciclo de vida e entra na disputa com híbridos e elétricos

Etanol ganha força em análise de ciclo de vida e entra na disputa com híbridos e elétricos

26 maio, 2026
LinkedIn Instagram Twitter Youtube Facebook

CONTATO
(16) 3945-5934
atendimento@visaoagro.com.br
jornalismo@visaoagro.com.br
comercial@visaoagro.com.br

VEJA TAMBÉM

  • Prêmio Visão Agro
  • Vision Tech Summit 
  • AR Empreendimentos

Todos os direitos reservados 2024 © A R EMPREENDIMENTOS COMUNICAÇÃO E EVENTOS LTDA – CNPJ: 05.871.190/0001-36

Inovação, tecnologia e transformação digital no Agronegócio.
Prepare-se para o maior evento tech-agro do ano!

Saiba mais no site oficial

Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Bioenergia
    • Biocombustíveis
    • Biogás
    • Biomassa
    • Energia renovável
    • Usinas
  • Mundo Agro
    • Cooperativismo
    • Sustentabilidade
    • Tecnologia
  • Mercado
    • Clima
    • Economia
    • Geopolítica
    • Internacional
    • Negócios
    • Política e Governo
    • Transporte
  • Culturas
    • Algodão
    • Café
    • Cana de Açúcar
    • Fruticultura
    • Grãos
    • Milho
    • Pecuária
    • Soja
    • Trigo
  • Insumos agrícolas
    • Adubos e fertilizantes
    • Biológicos e Bioinsumos
    • Defensivos Agrícolas
    • Implementos Agrícolas
    • Irrigação
    • Máquinas agrícolas
  • Eventos Visão Agro
    • Vision Tech Summit – Indústria do Amanhã
    • Prêmio Visão Agro Brasil
    • Vision Tech Summit – Agro
    • Prêmio Visão Agro Centro – Sul
  • Em destaque
  • Leia mais

Todos os direitos reservados 2024 © A R EMPREENDIMENTOS COMUNICAÇÃO E EVENTOS LTDA – CNPJ: 05.871.190/0001-36