domingo, agosto 16, 2026
Visão Agro - A melhor Visão do Agronégócio
  • NOTÍCIAS
  • EXCLUSIVAS
  • VISION TECH
  • PRÊMIO VISÃO
  • CALENDÁRIO
  • QUEM SOMOS
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Visão Agro - A melhor Visão do Agronégócio
  • NOTÍCIAS
  • EXCLUSIVAS
  • VISION TECH
  • PRÊMIO VISÃO
  • CALENDÁRIO
  • QUEM SOMOS
Visão Agro - A melhor Visão do Agronégócio
Nenhum resultado
Ver todos os resultados

Pergunta que não quer calar no setor canavieiro: por que a produtividade da cana não evolui no Centro-Sul?

Maria Reis por Maria Reis
15 outubro, 2025
em Cana de Açúcar
Tempo de leitura: 8 minutos
A A
0
Home Culturas Cana de Açúcar
Compartilhe no WhatsappShare on TwitterCompartilhe no Linkedin

Mesmo com a constante liberação de novas variedades, por que não vemos mudanças significativas?

A cana-de-açúcar é uma cultura semiperene, de clima quente e úmido, dispondo de manejos específicos para atingir seu pleno desenvolvimento e, consequentemente, o retorno esperado. Dessa forma, entendemos que práticas alheias aos padrões adequados irão fatalmente refletir em seus resultados, inclusive em sua produtividade.

Leia mais

Veja os estados com as maiores áreas de cana colhida na safra 2026/27, segundo estimativa da Conab

Nova tecnologia pode reduzir de 16 toneladas para 400 kg o material usado no plantio de um hectare de cana

EUA pressionam Brasil por acordo para recompor cota do açúcar

Mais de 600 mil hectares: veja os estados com as maiores áreas de plantio de cana na safra 2026/27

Nos últimos anos, temos convivido com uma acentuada queda e/ou estagnação das produtividades nas usinas. Com exceção de uma minoria, todas tiveram uma redução de TCH (toneladas de colmos por hectare) nas últimas safras. Tal redução em relação às safras anteriores ocorre mesmo que nas fases de seleção e estudo para a liberação da variedade, os clones são submetidos invariavelmente em competição com as principais variedades comerciais exploradas pelo setor, onde estas variedades são utilizadas como padrões/testemunhas nos ensaios dos órgãos de pesquisa. Após as diversas fases de competição, seleção, condições edafoclimáticas e anos de avaliação a que esses materiais são submetidos, os melhores que superaram as variedades comerciais são liberados para o plantio comercial, obviamente são os clones que se mostraram superiores nos diversos indicadores de desempenho avaliados, como: produtividade em cana planta e soqueiras, riqueza, sanidade (doenças e pragas), colheitabilidade, isoporização, etc, ou seja, os que tiveram uma performance superior as variedades comerciais cultivadas pelas usinas.

Ademais desse processo, temos nos deparado ainda com a incógnita de não estarmos obtendo o incremento esperado na produtividade, ou melhor, somente um pequeno aumento no TCH ou uma manutenção linear com pequenas oscilações nas produtividades obtidas em safras anteriores.

Sabemos que o Brasil é o maior produtor e exportador de açúcar do mundo e o segundo maior produtor de etanol. Nas últimas décadas, o crescimento desta commodity foi gigantesco, e para atender a demanda, fez-se necessário a expansão das áreas de cultivo de cana. Assim, diante dessa necessidade, uma conjunção de diversos fatores acabou inevitavelmente impactando esse cenário de estancamento das produtividades, a saber:

1 – Expansão da área de cana em áreas até então não cultivadas com cana-de-açúcar (pastagens, eucaliptos, citrus), ou seja, não somente nas áreas mais férteis;

2 – Problemas com nutrição e manejo, alta dos preços – agravado com as últimas crises políticas e econômicas (interna e externa) – pandemia da Covid-19 e guerras entre países fornecedores de fertilizantes ao Brasil;

3 – Diminuição das áreas de reforma e consequente aumento do número médio de corte (historicamente, a taxa média de renovação do canavial era de 17%; atualmente está próxima de 14%);

4 – Antecipação do início das safras e postergação do final das safras. Há um tempo não muito distante, as safras começavam em maio e encerravam em outubro/novembro. Hoje, porém, é muito comum iniciarem em março e terminarem em dezembro – há, inclusive, algumas unidades que moem cana praticamente o ano todo;

5 – Idade média de corte;

6 – Plantio de cana de ano, cana de inverno e em algumas usinas plantio o ano inteiro;

7 – Concomitantemente aos eventos elencados acima, atualmente a quase totalidade da colheita é mecanizada e a cana sem queimar. Anteriormente o cenário era de uma área representativa de colheita manual e de cana queimada, onde se ateava fogo nos canaviais a serem colhidos, o que era positivo em termos de produtividade e menos perdas de matéria-prima;

Enfim, mudanças importantes que ocorreram nos últimos anos no manejo tradicional até então aplicado e que, certamente, contribuíram para a redução da produtividade e/ou um range aproximado entre as últimas safras.

É evidente que, em virtude dos diferentes “anos agrícolas” que atravessaram esses canaviais, houve também influências de clima, temperatura, chuvas e outras variáveis. De todo modo, o que gostaria de pontuar é que, nos últimos anos, mesmo com o avanço de tecnologias que vem sendo aplicadas no melhoramento genético e desenvolvimento de novas variedades de cana, os fatores elencados acima interferem direta e substancialmente na redução ou manutenção da produtividade, reagindo de uma forma inversa ao acréscimo esperado da produtividade dos novos materiais liberados e ao seu manejo (Consulcana 2025).

Outra varável também muito importante são as alterações constantes e reposições no elenco varietal, onde, se não fossem esse dinamismo no desenvolvimento e liberação de novos materiais genéticos promissores e variedades com características superiores às já existentes, o cenário, indubitavelmente, estaria ainda pior e muito mais desafiador.

Não há dúvidas do grande serviço que órgãos de pesquisa como CTC, IAC, Ridesa e algumas universidades prestam para o setor no desenvolvimento e liberação de novas variedades de cana-de-açúcar. Trata-se de uma árdua e importante tarefa que não tem fim, pois é uma busca permanente por novos clones superiores e futuras variedades que atendam à necessidade incessante do setor.

O que podemos fazer para alavancarmos a produtividade além das liberações de novas variedades?

Sabe-se que a cana-de-açúcar é uma cultura altamente responsiva à água, fazendo com que esse insumo por si só já traga um enorme resultado positivo na busca pela produtividade, aliado ao clima quente e a horas de luz adequada. Esses elementos (água, temperatura e luz) talvez expliquem ou justifiquem porque o Brasil é o maior produtor de cana-de-açúcar e seus derivados do mundo.

Não obstante aos fatores citados como impactantes na dificuldade em alcançarmos produtividades outrora obtidas, assim como alavancarmos as produtividades atuais, podemos relembrar um estudo realizado pelo fisiologista, Paul H. Moore (2009), Hawaii Agricultural Research Center (Centro de Pesquisa Agrícola do Havaí), onde aponta o potencial teórico máximo da cana-de-açúcar em 472 t/ha. Logo, a cana-de-açúcar por ser uma planta altamente responsiva água, não podemos deixar de citar que a irrigação na cana é fundamental para o incremento de sua performance em produtividade, sendo uma das principais iniciativas numa busca por uma evolução nas toneladas de colmos por hectare.

Nota-se também, nos últimos anos, uma troca significativa no plantel de variedades, onde materiais que ocupavam e/ou eram cultivados comercialmente em grandes áreas foram cedendo espaço para novos materiais promissores aliando: riqueza, sanidade, colheitabilidade, diversidade quanto aos ambientes de produção (solos) e longevidade.

*Safra 2025/26 (parcial)

O maior desafio para nós, profissionais que trabalhamos no setor, é utilizarmos as tecnologias disponíveis no mercado, as novas variedades, adequar o manejo e buscamos alcançar, nas áreas com potencial, os três dígitos de TCH (tonelada de colmo por hectare) ou próximo disto, sem contudo, não esquecer do ATR (açúcar total recuperável), pois entendemos também que não podemos só focar na produtividade e esquecermos o ganho e a evolução que obtivemos nos últimos anos na qualidade tecnológica da matéria-prima.

É importante ressaltar que a alocação correta das variedades não traz nenhum custo adicional, pois o custo da operação sendo realizada da forma correta ou errada será o mesmo. Sendo assim, fazer a escolha da variedade a ser plantada de forma assertiva, equalizando épocas de plantio, colheita (materiais para início, meio e fim de safra) e o plantio sendo realizado no ambiente de produção adequado, sem dúvida alguma já seria um grande salto na performance e retorno econômico, onde consequentemente, não haverá a necessidade de conviver com uma decisão equivocada e esperar cinco ou seis cortes (anos) para corrigir um eventual erro cometido na formação do canavial.

Devemos buscar o manejo ótimo, equalizando o elenco varietal de acordo com os ambientes de produção disponíveis na usina, se necessário, investir em mudas de variedades que talvez a usina não tenha, e insisto, principalmente fazer a alocação nas áreas adequadas, sem deixar a logística e/ou a muda mais próxima serem o fator determinante na tomada de decisão de qual variedade plantar na área a ser reformada, incorrendo num erro que depois custará anos para ser corrigido, ou seja, até a próxima reforma da área.

Vale destacar também alguns outros fatores no manejo que são fundamentais e contribuem para elevação da produtividade:

  • Estratégias adequadas de plantio, visando mitigar canavial com falhas;
  • Redução de perdas na colheita (trasbordo, pisoteio, transporte);
  • Caminhamento coerente de safra;
  • Nutrição sem economia de acordo com a análise/necessidade do solo;
  • Investir em irrigação visando abranger a maior área possível dos canaviais;
  • Fatores redutores de produtividade agrícola sob controle (pragas, doenças e ervas daninhas);
  • Ponto ideal de reforma;
  • Escolha e alocação correta da variedade no ambiente de produção (solo), ponderando inclusive questões logísticas.

Com estas variáveis sob controle e um mínimo investimento, é factível buscamos e alcançarmos este incremento na produtividade que tanto é questionado pelo setor nas últimas décadas, e que com certeza, trará o retorno esperado em toneladas de colmo por hectare. Reduzir custos com economia na adubação, com a logística no transporte de mudas de variedades equivocadas somente por estarem mais próximas da área de plantio, não investir na irrigação dos canaviais, assim como outras práticas habitualmente encontradas, são decisões muito comuns, práticas e fáceis de serem tomadas, mas que não são as mais assertivas para quem busca aumento de produtividade. Temos que aceitar e comprar a ideia de que não conseguiremos o aumento da produtividade se não investirmos num manejo racional para alcançamos tal objetivo.

Por: Fábio Vidal Mina Junior | Fonte: RPA News

Clique AQUI, entre no canal do WhatsApp da Visão Agro e receba notícias em tempo real.

SendTweetCompartilhar
Artigo anteiror

Produtividade da cana é 6,5% inferior à da safra passada, aponta CTC

Próximo post

Cade abre inquérito administrativo para investigar suposta venda casada pelo BB

Maria Reis

Maria Reis

Notícias Relacionadas

Veja os estados com as maiores áreas de cana colhida na safra 2026/27, segundo estimativa da Conab

Veja os estados com as maiores áreas de cana colhida na safra 2026/27, segundo estimativa da Conab

13 agosto, 2026
Setor bioenergético discute integração entre agrícola, indústria e suprimentos em evento técnico em Sertãozinho

Nova tecnologia pode reduzir de 16 toneladas para 400 kg o material usado no plantio de um hectare de cana

12 agosto, 2026
Preço do açúcar é pressionado na ICE por previsões de chuvas no Brasil

EUA pressionam Brasil por acordo para recompor cota do açúcar

11 agosto, 2026
Mais de 600 mil hectares: veja os estados com as maiores áreas de plantio de cana na safra 2026/27

Mais de 600 mil hectares: veja os estados com as maiores áreas de plantio de cana na safra 2026/27

10 agosto, 2026
Moagem de cana no Centro-Sul cresce 10,68% na segunda quinzena de agosto, mas recua no acumulado

Moagem de cana caiu em junho no Centro-Sul e reduziu oferta de açúcar

7 agosto, 2026
Confira o ranking dos maiores estados produtores de cana na safra 2026/27, segundo estimativa da Conab

Confira o ranking dos maiores estados produtores de cana na safra 2026/27, segundo estimativa da Conab

6 agosto, 2026
Com queda do açúcar e tarifaço, usinas do Nordeste já falam em prejuízo

Déficit global de açúcar deve alcançar 1,7 milhão de toneladas, diz StoneX

29 julho, 2026
Bioenergia já é 30% de toda a matriz energética do Brasil

Governo abre subvenção a produtores de cana-de-açúcar do Nordeste

21 julho, 2026
IA revoluciona o monitoramento de pragas na cana-de-açúcar

Comvap inicia safra 2026/27 com expectativa de moer 1,5 milhão de toneladas de cana

16 julho, 2026
Grupo Queiroz de Queiroz leva pesagem ao campo, ajusta cargas na safra e amplia controle da operação agrícola

Grupo Queiroz de Queiroz leva pesagem ao campo, ajusta cargas na safra e amplia controle da operação agrícola

7 julho, 2026
Carregar mais
Próximo post
Cade abre inquérito administrativo para investigar suposta venda casada pelo BB

Cade abre inquérito administrativo para investigar suposta venda casada pelo BB

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais lidas da semana

  • Trending
Com impacto de provisões para perdas, Raízen teve prejuízo de R$ 27 bilhões na safra 2025/26

BBI: Títulos da Raízen parecem baratos após reestruturação e podem subir mais de 40%

10 agosto, 2026
Credores e bondholders da Raízen indicam ex-Oi e ex-Americanas para reestruturação

Justiça de São Paulo pede bloqueio de conta bancária da Raízen

12 agosto, 2026
Petrobras

Petrobras deixa de vender combustíveis à distribuidora com suspeita de ligação com PCC

10 agosto, 2026
5,5 bilhões de litros de diesel por ano colocam máquinas agrícolas no radar do etanol

5,5 bilhões de litros de diesel por ano colocam máquinas agrícolas no radar do etanol

11 agosto, 2026
Mais de 600 mil hectares: veja os estados com as maiores áreas de plantio de cana na safra 2026/27

Mais de 600 mil hectares: veja os estados com as maiores áreas de plantio de cana na safra 2026/27

10 agosto, 2026
LinkedIn Instagram Twitter Youtube Facebook

CONTATO
(16) 3945-5934
atendimento@visaoagro.com.br
jornalismo@visaoagro.com.br
comercial@visaoagro.com.br

VEJA TAMBÉM

  • Prêmio Visão Agro
  • Vision Tech Summit 
  • AR Empreendimentos

Todos os direitos reservados 2024 © A R EMPREENDIMENTOS COMUNICAÇÃO E EVENTOS LTDA – CNPJ: 05.871.190/0001-36

Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Bioenergia
    • Biocombustíveis
    • Biogás
    • Biomassa
    • Energia renovável
    • Usinas
  • Mundo Agro
    • Cooperativismo
    • Sustentabilidade
    • Tecnologia
  • Mercado
    • Clima
    • Economia
    • Geopolítica
    • Internacional
    • Negócios
    • Política e Governo
    • Transporte
  • Culturas
    • Algodão
    • Café
    • Cana de Açúcar
    • Fruticultura
    • Grãos
    • Milho
    • Pecuária
    • Soja
    • Trigo
  • Insumos agrícolas
    • Adubos e fertilizantes
    • Biológicos e Bioinsumos
    • Defensivos Agrícolas
    • Implementos Agrícolas
    • Irrigação
    • Máquinas agrícolas
  • Eventos Visão Agro
    • Vision Tech Summit – Indústria do Amanhã
    • Prêmio Visão Agro Brasil
    • Vision Tech Summit – Agro
    • Prêmio Visão Agro Centro – Sul
  • Em destaque
  • Leia mais

Todos os direitos reservados 2024 © A R EMPREENDIMENTOS COMUNICAÇÃO E EVENTOS LTDA – CNPJ: 05.871.190/0001-36