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Presidente Prudente é pioneira em rede urbana abastecida por biometano

Maria Reis por Maria Reis
18 novembro, 2025
em Bioenergia, Leia mais
Tempo de leitura: 6 minutos
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Home Bioenergia
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Combustível renovável reduz em até 88% as emissões de CO2 e impulsiona investimentos, geração de empregos e desenvolvimento sustentável no oeste paulista

Planta da Usina Cocal, em Narandiba (SP), produz até 25 mil metros cúbicos por dia de biometano — Foto: Usina Cocal/Divulgação

Presidente Prudente, no interior paulista, tornou-se a primeira cidade do Brasil a receber uma rede urbana de biometano, combustível renovável obtido a partir de resíduos da cana-de-açúcar.

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O sistema marca um passo importante na transição energética e na redução das emissões de gases de efeito estufa, tema debatido mundialmente, inclusive na COP30, realizada em Belém (PA) até 21 de novembro.

O gás é distribuído pela Necta, com produção da usina Cocal, localizada em Narandiba (SP). As obras do gasoduto foram realizadas com apoio do governo do estado de São Paulo.

Segundo explicou ao G1 a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), o projeto Cidades Sustentáveis leva gás canalizado produzido a partir de biometano para Presidente Prudente e região. O sistema opera de forma independente e é totalmente abastecido com energia renovável.

“Por ser intercambiável (fungível) com o gás natural, o biometano, uma vez injetado na infraestrutura de distribuição, pode atender todos os municípios abastecidos pelas concessionárias de gás canalizado do estado”, conta a Arsesp.

Além de Presidente Prudente, o estado de São Paulo conta com cerca de 170 municípios atendidos por gás canalizado, totalizando 24 mil quilômetros de rede e cerca de 3 milhões de usuários. Há planos para ampliar o uso de energia limpa e incentivar novas plantas de produção e ampliar as possibilidades de interconexão de biometano aos gasodutos paulistas, conforme a Arsesp.

Como o biometano é produzido?

A planta da usina Cocal produz até 25 mil metros cúbicos por dia de biometano, resultado de um investimento de R$ 150 milhões. A empresa explica que o biogás é produzido a partir da biodigestão da vinhaça e da torta de filtro – resíduos que surgem do processamento da cana-de-açúcar durante a produção de açúcar e etanol.

Parte desse biogás é purificada para a produção do biometano, um gás limpo que atua como alternativa sustentável em veículos, residências e atividades industriais. A outra parte é transformada em energia elétrica.

“O biometano é a nossa grande aposta para o presente e futuro. Ele pode substituir o diesel e o gás natural veicular em veículos, além do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) e carvão em indústrias, residências e comércios”, destaca a Cocal.

A empresa também utiliza o biometano em sua própria frota, substituindo o diesel e descarbonizando as operações. A meta é alcançar mais de 60 equipamentos movidos a gás renovável e evitar o uso de aproximadamente 2 milhões de litros de diesel até o fim da safra atual.

Após a produção do biogás, os resíduos biodigeridos voltam para as lavouras como biofertilizantes, “dando vida ao solo e representando um avanço na cultura da cana-de-açúcar brasileira”. Atualmente, cerca de 95% dos hectares de produção da Cocal já recebem esse tipo de fertilização natural.

Rede canalizada de biogás

Em Presidente Prudente, o gás renovável chega à rede canalizada da Necta por meio de um gasoduto que liga Narandiba à cidade. A parceria com a Cocal é considerada estratégica e “representa um marco na consolidação do biometano como alternativa viável e sustentável na matriz energética brasileira e paulista”, segundo o diretor comercial da Necta, Marcos Bernadello.

Desde setembro de 2025, a empresa iniciou a conexão de 5 mil clientes residenciais e mais de 50 comércios de Presidente Prudente. As ligações começaram em outubro e devem estar concluídas até o fim do primeiro trimestre de 2026.

“A planta da Cocal garante um fornecimento contínuo e limpo para a nossa rede canalizada. Juntos, formamos um modelo de economia circular que fortalece o setor sucroenergético regional e impulsiona a transição energética no interior paulista”, afirmou Bernadello.

Sustentabilidade e segurança

O biometano e o gás natural são totalmente compatíveis. A lei reconhece que o combustível renovável pode ser injetado nos gasodutos em qualquer proporção, substituindo o gás natural fóssil ou formando uma mistura entre ambos sem necessidade de adaptação.

A qualidade é regulada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que define a composição físico-química do biometano comercializado no país. Dentro das residências, a instalação é feita pela própria Necta ou por empresas contratadas e homologadas.

“Todos os profissionais que executam as ligações e manutenções na rede de distribuição da Necta são treinados, qualificados e certificados, a fim de garantir a capacitação necessária para a execução dos serviços”, informa a companhia. A concessionária mantém ainda um canal de atendimento 24 horas (0800-773-6099) para casos de emergência.

Os benefícios ambientais são o destaque. O biometano emite 88% menos CO₂ que o GLP e, por ser mais leve, se dissipa com mais facilidade em caso de vazamentos. Além disso, o fornecimento contínuo pela rede reduz o risco de interrupções, já que o GLP depende de logística rodoviária.

“A disponibilidade de biometano em Presidente Prudente contribui para a atração de investimentos e, consequentemente, para a geração de empregos. Há enorme interesse de diversos segmentos, principalmente industriais, pela utilização do biometano, o que alavanca o desenvolvimento regional”, afirma Bernadello.

O projeto é fiscalizado pela Arsesp, responsável pelos serviços de distribuição de gás canalizado, e pela ANP, que regula a qualidade do combustível. As licenças ambientais foram emitidas pela Cetesb, e as autorizações para operação do gasoduto foram concedidas pela Arsesp e pela ANP.

Projeto por fases

A Necta informou ao G1 que já planeja novas fases de expansão. “Estamos na segunda fase do projeto no município, com a construção de mais de 40 km de rede para levar o biometano a mais de 5 mil clientes residenciais, comerciais, industriais e postos de combustíveis. Conforme a ampliação da rede é concluída, as ligações são realizadas”, detalha.

A concessionária prevê, ainda, conectar outras três usinas de biometano à malha de distribuição até 2030 e expandir a rede para mais quatro municípios, em sintonia com os compromissos climáticos do estado de São Paulo de alcançar neutralidade de carbono até 2050.

“O biometano é um combustível renovável, nacional e uma das principais alternativas para reduzir a dependência de combustíveis fósseis no país, especialmente em regiões com forte atividade agroindustrial. Essa demanda está crescendo, e estamos prontos para atender com escala, eficiência e impacto ambiental positivo”, completa Bernadello.

Por: Stephanie Fonseca | Fonte: G1

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