Palestra no Vision Tech Summit 2026 analisou clima, oferta global de açúcar, avanço do etanol de milho e a posição competitiva do Brasil no mercado internacional

A produção de açúcar alcança 38,8 milhões de toneladas enquanto o etanol de milho mantém trajetória de expansão, com crescimento de 10%, em um cenário no qual clima, oferta e demanda voltaram a alterar rapidamente as perspectivas do mercado. Os números foram apresentados pelo diretor da DATAGRO, Guilherme Nastari, durante a palestra “Mercado Internacional da Bioenergia: Competitividade Brasileira em Novo Ciclo Global”, no Vision Tech Summit 2026.
Nastari destacou que a safra começou sob uma perspectiva mais baixista, depois de seis ciclos consecutivos marcados por resultados positivos para o setor. Ao longo do ano, entretanto, mudanças climáticas e alterações no equilíbrio internacional de oferta começaram a modificar esse cenário.
Um dos exemplos apresentados foi o mercado de açúcar. Segundo o executivo, as cotações saíram da faixa de 13 a 14 cents por libra-peso há poucos meses para cerca de 20 a 21 cents, movimento influenciado, entre outros fatores, pelas preocupações climáticas envolvendo a Índia. gui palestra

O clima ganhou, segundo Nastari, peso cada vez maior nas decisões de curto prazo. Mesmo diante de um cenário momentâneo de maior oferta global de açúcar, as expectativas sobre as próximas safras podem provocar reações imediatas nas cotações.
Etanol ganha espaço
O avanço do etanol de milho também ocupou parte importante da análise. Nastari ressaltou que essa produção não deve ser observada apenas como concorrente da cana-de-açúcar, mas como parte de uma transformação mais ampla das usinas, que passam a integrar energia, alimentos e novas atividades produtivas. gui palestra
Nas projeções apresentadas durante a palestra, a produção combinada considerada na análise pode passar de 108 milhões de toneladas atualmente para 149 milhões em 2034/35, com forte avanço da participação do milho. Quando considerado apenas o etanol, as duas matérias-primas tendem a se aproximar em escala de produção. gui palestra
Para o diretor da DATAGRO, a competitividade brasileira dependerá não apenas da eficiência produtiva, mas também da capacidade de desenvolver mercados e ampliar a demanda pelos produtos da bioenergia. A experiência brasileira de integração entre produção de alimentos e energia, segundo ele, já desperta interesse internacional e pode fortalecer ainda mais a posição do País no novo ciclo global da bioenergia.
Por: Maria Reis | Fonte: Portal Visão Agro
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