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Safra de cana 2026/27: Goiás deve avançar na produção de etanol

Maria Reis por Maria Reis
14 abril, 2026
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Tempo de leitura: 4 minutos
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Na safra 2026/27 em Goiás, previsões iniciais mostram uma estimativa de processamento entre 80 milhões de toneladas de cana. Na avaliação inicial do Sifaeg/Sifaçúcar, sindicatos que representam o setor bioenergético goiano, a vocação histórica de Goiás para o etanol deve ser mantida. Cerca de 70% da cana processada no Estado tem sido destinada à produção do biocombustível nas últimas safras.

“Muitas unidades não têm capacidade de produzir açúcar, o que torna o mix naturalmente mais voltado ao etanol. Essa tendência deve se intensificar diante do atual cenário de preços e da maior liquidez do biocombustível”, destaca André Rocha, presidente executivo das entidades.

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O etanol de milho segue em trajetória de expansão e deve ganhar ainda mais relevância na matriz produtiva goiana, com unidades dedicadas e plantas flex, além de projetos em fase de implantação.

Entre os destaques está a nova unidade da Inpasa, em Rio Verde, com início de operação previsto para o final deste ano. Também avançam investimentos do Grupo São Martinho, em Quirinópolis e Serranópolis, e do Grupo CerradinhoBio, ampliando a capacidade de processamento de milho. No caso da unidade industrial da Neomille de Chapadão do Céu, sudoeste goiano, estão sendo investidos R$ 140 milhões e a capacidade de produção da unidade deverá ser ampliada em cerca de 30%, totalizando 1,2 milhão de toneladas de milho processadas por ano nessa unidade. A operação deve ser iniciada em agosto deste ano.

Já a São Martinho vai ampliar a unidade de produção de etanol a partir do milho, localizada em Quirinópolis, Goiás, com incremento de capacidade para processar 635 mil toneladas de milho por ano, resultando na produção de 270 mil m³ de etanol, além de subprodutos como DDGS e óleo de milho, totalizando R$ 1,1 bilhão investidos.

A Energética Serranópolis, no município de mesmo nome, está investindo R$ 60 milhões e deve começar a processar o grão ainda este ano. A Eber Bio, localizada em Montes Claros, deve finalizar as obras no segundo semestre para iniciar a produção no fim de 2026.

“O milho tem se consolidado como um vetor estratégico para Goiás. Com os investimentos anunciados, o Estado tende a alcançar a segunda posição nacional na produção de etanol de milho”, ressalta o presidente do Sifaeg.

Avanços em biogás e biometano

Além do etanol de cana e de milho, Goiás avança na produção de biogás e biometano. Projetos em desenvolvimento devem ampliar significativamente a oferta do combustível renovável nos próximos anos. O Estado se destaca por políticas públicas voltadas à descarbonização, como a encomenda de ônibus movidos a biometano para o transporte público. “A transição energética coloca Goiás em posição de destaque, mas é fundamental garantir competitividade, segurança jurídica e condições adequadas de mercado para que os investimentos continuem avançando”, ressalta o executivo.

A guerra no Oriente Médio traz um cenário de incertezas diante do aumento do preço do petróleo que pressiona o custo do diesel, insumo essencial para as operações no campo e no transporte da cana. A elevação dos gastos com combustível impacta diretamente a logística da safra, desde a colheita até o escoamento da produção, reduzindo as margens das usinas e produtores.

Outro ponto de atenção é o mercado de fertilizantes. O Brasil depende majoritariamente de importações para suprir a demanda interna, e parte relevante desses insumos tem relação com a dinâmica geopolítica global. Com custos mais altos, existe um risco de redução na aplicação de fertilizantes, o que pode comprometer o rendimento das lavouras nas próximas safras.

“O ambiente de incerteza no mercado internacional influencia decisões estratégicas do setor bioenergético. Oscilações nos preços do açúcar e do etanol, aliadas à volatilidade cambial, tornam o planejamento mais desafiador para empresas e produtores rurais”, afirma André Rocha.

O executivo ressalta ainda que apesar de oportunidades pontuais, como o fortalecimento do uso do etanol, o saldo tende a ser de maior pressão sobre custos e aumento do risco no curto prazo. Para o setor, o cenário reforça a importância de eficiência produtiva, gestão de custos e busca por alternativas que reduzam a dependência de insumos importados.

Fonte: RPA News

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