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Síndrome da Murcha no centro de São Paulo, a doença que avança de forma silenciosa

Maria Reis por Maria Reis
15 setembro, 2025
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Tempo de leitura: 5 minutos
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A cada safra, os canaviais paulistas têm convivido com um inimigo de difícil percepção a olho nu, mas de grande impacto no bolso. A Síndrome da Murcha mostra sua face de forma mais intensa a partir de agosto, quando a combinação de déficit hídrico, florescimento e estresse fisiológico (fatores abióticos mais intensos) o que cria um ambiente propício para o complexo de patógenos prosperar. (na verdade ele já está instalado nas GRANDES LAVOURAS.)

Os levantamentos recentes, consolidados até agosto de 2025, comprovam a tendência: a murcha cresce no final da safra, reduzindo toneladas, ATR e qualidade industrial. Veja na figura abaixo, a evolução histórica do ataque da SÍNDROME DA MURCHA,  ocorrida no centro do estado de São Paulo nos últimos anos.

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Figura 1. Evolução da SÍNDROME DA MURCHA monitorada em grande produtor de cana de açúcar do interior de São Paulo. Bebedouro, 2025.

O divisor de águas depois de agosto

Os dados históricos mostram que, em média, a incidência no período crítico varia entre 12% e 13%. Isso se traduz em uma perda média de 9 a 10 toneladas de cana por hectare.

Em 2024, por exemplo, a região central de São Paulo apresentou 11% de incidência em agosto, equivalente a 8,25 t/ha de perda, e 11,6% em novembro, o que significou 8,7 t/ha a menos por hectare. Em dezembro, a situação foi ainda mais grave, com 13,4% de incidência e perdas de 10 t/ha, derrubando o TCH de um potencial de 75 t/ha para apenas 65 t/ha em áreas afetadas.

Veja os dados da evolução da doença em 2025, comparada com 2024, no interior de São Paulo em um grande produtor de cana de açúcar.

Figura 2. Evolução da infestação da Síndrome da murcha na região central do estado de São Paulo no ano de 2025 x 2024. Bebedouro, 2025.

O que isso representa em reais/R$:

O custo de produção de uma tonelada de cana, segundo o PECEGE em 2025, é de R$ 159. (Fonte: PECEGE) Aplicando o fator de 0,75 t/ha de perdas de produção para cada ponto percentual de murcha, temos o seguinte impacto:

  • Novembro, média histórica (12,8%): 9,65 t/ha perdidas, equivalendo a um prejuízo de R$ 1.533 por hectare;
  • Novembro, 2024 (11,6%): 8,7 t/ha perdidas, equivalendo a R$ 1.383 por hectare;
  • Dezembro, 2024 (13,4%): 10 t/ha perdidas, equivalendo a R$ 1.598 por hectare.

Em uma frente de produção envolvendo cultivo de 10.000 hectares, isso significa prejuízos na ordem de R$ 13,8 milhões a R$ 15,9 milhões em apenas uma safra.  Isso afeta a rentabilidade do negócio, reduz margens e põe em risco a sustentabilidade da grande lavoura canavieira.

Imaginem extrapolar esse dados para 50% da lavoura canavieira, que está na casa dos 9  milhões de hectares cultivados.  Isso daria um montante de 6,7 BILHÕES DE REAIS de prejuízos.

Esses números mostram como a murcha é um problema econômico e não apenas fitopatológico.

A dupla face da murcha: reflexos agroindustriais

A doença rouba toneladas de colmos e qualidade de matéria-prima ao mesmo tempo. O ATR cai, o amido e as infecções no processo industrial aumentam e a indústria paga o preço em forma de menor rendimento, maiores custos de processamento e fermentações instáveis.

A cada caminhão que chega com colmos infectados, a planilha de custos da usina fica mais pesada.

Como virar esse jogo? Monitorar. Intensificar amostragens a partir de agosto, usar drones e mapas de colheita para enxergar o problema cedo; Planejar a colheita. Colher primeiro áreas críticas, higienizar colhedoras e transbordos, reduzir ferimentos em solos secos; Reposicionar variedades. Evitar que as mais sensíveis fiquem em ambientes restritivos, garantir mudas sadias e viveiros rastreados; Fortalecer a planta. Reforçar potássio, cálcio e silício, corrigir compactação profunda e ampliar reserva hídrica no perfil; Atacar em rede. Controlar pragas que abrem portas para o complexo da murcha, ajustar maturadores e inibidores de florescimento para reduzir ponteiros ricos em amido.

De número em número, a decisão necessária para enfrentamento da doença.

A mensagem é clara: cada 1% de murcha é igual a 0,75 t/ha perdida.

Quando traduzimos percentuais em toneladas e toneladas em reais, a doença ganha contorno econômico e se torna argumento de decisão para diretores, gerentes e produtores. Não é apenas ciência, é fluxo de caixa.

Convite à virada.

O I Simpósio Nacional da Síndrome da Murcha, que acontece no dia 30 de setembro no Centro de Cana do IAC, em Ribeirão Preto, será o espaço para trocar experiências, validar cálculos regionais e propor medidas conjuntas. A história mostra que a doença cresce depois de agosto. A decisão que tomarmos agora vai definir se o final da safra será de perdas inevitáveis ou de controle estratégico.

Por: José Cristóvão Momesso | Fonte: RPA News

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