
A fermentação alcoólica, processo essencial na produção de etanol, enfrenta um grande desafio do controle da contaminação bacteriana. Especialistas do setor debateram o tema no II Simpósio Nacional de Tecnologia Industrial, realizado em Sertãozinho-SP, pelo Grupo de Empresas Parceiras (GEP). O evento reuniu pesquisadores e gestores para discutir os avanços e os desafios tecnológicos enfrentados pelas usinas sucroalcooleiras.
Durante o simpósio, especialistas ressaltaram que a fermentação é um processo complexo, que combina aspectos químicos, biológicos e físicos. Do ponto de vista químico, o processo consiste na transformação de açúcares em etanol e dióxido de carbono (CO₂). Biologicamente, o cuidado com as leveduras, os principais microrganismos fermentadores, é essencial para manter a eficiência do processo. Já na física, o controle de parâmetros como temperatura e circulação de fluidos é indispensável para evitar problemas operacionais.
Impactos da contaminação bacteriana
Um dos principais problemas apontados foi a presença de bactérias indesejadas durante o processo fermentativo. Essas bactérias não apenas competem com as leveduras pelos açúcares, reduzindo o rendimento de etanol, como também contaminam produtos químicos e criam “pontos mortos” nas tubulações, favorecendo sua proliferação.
Giovanni Rabesco, gestor de produção na Usina Goiasa, destacou a importância de soluções avançadas. “Embora o uso de água quente na limpeza e a manutenção regular dos equipamentos sejam práticas comuns, é necessário investir em tecnologias mais modernas e em produtos químicos eficazes para combater a contaminação”, afirmou.
Além das práticas tradicionais, o uso de tecnologias inovadoras foi apontado como essencial para garantir a eficiência no setor. “Na fermentação, lidamos com um ser vivo, e é preciso cuidar dele”, explicou Guilherme Marengo, gerente de engenharia e novas tecnologias na Fermentec. Ele ressaltou que o CO₂ gerado durante o processo pode impactar o bombeamento, dificultando o controle de circulação e temperatura. “Sem conhecer as propriedades do fluido, não conseguimos dimensionar adequadamente os equipamentos”, completou.
Controle térmico e monitoramento em tempo real
Outro ponto sensível destacado foi o controle da temperatura. O calor gerado durante a fermentação pode favorecer o crescimento de bactérias, comprometendo o processo. Soluções como trocadores de calor e sistemas de resfriamento são indispensáveis para manter as condições ideais. Além disso, o dimensionamento incorreto dos equipamentos pode levar a perdas significativas, como aumento no tempo de fermentação e maior consumo de insumos.
Os especialistas também defenderam uma abordagem integrada, combinando práticas operacionais robustas com tecnologias de monitoramento em tempo real. Investir na análise de dados e no desenvolvimento de soluções inovadoras foi apontado como um caminho decisivo para reduzir perdas e maximizar a produção de etanol.

O simpósio reforçou que, para garantir eficiência e sustentabilidade no setor sucroalcooleiro, é imprescindível alinhar inovação tecnológica, controle rigoroso de processos e práticas operacionais avançadas.
Por: Josielle Gregório – Visão Agro
Clique AQUI, entre no canal do WhatsApp da Visão Agro e receba notícias em tempo real.










