Primeiro corte de pessoal afetará 17% da força de trabalho em sua sede
A Starbucks anunciou que demitirá 1,1 mil funcionários corporativos e congelará centenas de vagas abertas como parte dos esforços do novo CEO, Brian Niccol, para tornar as operações mais eficientes.
A medida ocorre em um momento de desafios para a rede de cafeterias, agravados pelo aumento das cotações globais do café desde o ano passado.
A empresa também informou que divulgará mudanças estruturais mais amplas até o fim da semana, o que pode acarretar ainda em mais demissões e fechamento de lojas.
Em uma mensagem aos funcionários na segunda-feira, Niccol afirmou que os cortes visam reduzir camadas corporativas e eliminar redundâncias, tornando a Starbucks mais ágil e focada.
“Acreditamos que essa mudança é necessária para posicionar a Starbucks para o sucesso futuro”, declarou o executivo.
A Starbucks enfrenta quedas consecutivas nas vendas trimestrais desde meados do ano passado, à medida que consumidores buscam opções mais baratas ou evitam longas filas.
O aumento dos preços do café no mercado global também pressionou as margens da empresa, que repassou parte desses custos aos clientes, impactando a demanda.
Nos últimos 12 meses, a cotação do café arábica na Bolsa de Nova York subiu cerca de 30%, impulsionada por quebras de safra em importantes produtores, como Brasil e Colômbia, além de fatores climáticos adversos.
Segundo o Cepea, a média mensal da cotação do arábica subiu 160% na comparação entre fevereiro de 2025 com o ano anterior (de R$ 1008 para mais de R$ 2.600).
O cenário elevou os custos operacionais da Starbucks, especialmente nas torrefações e na logística de abastecimento.
Diante desse contexto, Niccol prometeu restaurar a experiência tradicional das cafeterias, melhorar o sistema de pedidos via celular e acelerar o atendimento, buscando recuperar a fidelidade dos clientes.
Atualmente, a Starbucks possui mais de 30 mil lojas em 80 mercados ao redor do mundo.
Funcionários
Até setembro, a Starbucks contava com 16 mil funcionários corporativos, responsáveis pelo suporte às operações das lojas, expansão da rede e torrefação de grãos.
A empresa esclareceu que os cortes não afetarão funcionários da cadeia produtiva, incluindo torrefação, fabricação, armazenagem e distribuição, nem trabalhadores das cafeterias.
As demissões representam uma das maiores reestruturações da empresa. Em 2018, a Starbucks dispensou 5% de sua força de trabalho corporativa global, o que representou cerca de 350 pessoas. Agora, o volume de cortes é significativamente maior.
A empresa também enfrenta desafios externos, como boicotes e mudanças na liderança, que agravaram a queda nas vendas. Para reverter esse quadro, contratou Brian Niccol, ex-CEO da Chipotle, com o objetivo de fortalecer seus negócios centrais e enfrentar a concorrência crescente.
As ações da Starbucks reagiram positivamente às medidas anunciadas, subindo para US$ 112,48 nas negociações da manhã.
Outras redes de restaurantes também anunciaram reestruturações recentemente. A Bloomin’ Brands, dona do Outback, informou na semana passada que demitirá cerca de 100 funcionários corporativos, enquanto a Yum Brands, controladora da KFC, anunciou a transferência de parte de sua equipe para outro escritório nos Estados Unidos.
Os funcionários impactados pela decisão da Starbucks serão informados até terça-feira e receberão indenizações e suporte na transição. A empresa solicitou que os trabalhadores híbridos permaneçam em casa nesta semana.
A Starbucks afirmou que, no futuro, as novas contratações corporativas na América do Norte deverão, em sua maioria, trabalhar presencialmente em Seattle ou Toronto, onde a empresa mantém um escritório de suporte.
Starbucks no Brasil
A Starbucks tem enfrentado desafios significativos no Brasil nos últimos anos. Em 2023, a SouthRock, operadora licenciada da marca no país, entrou com pedido de recuperação judicial, citando dívidas de aproximadamente R$ 1,8 bilhão.
Esse cenário levou ao fechamento de 43 das 187 lojas operadas pela SouthRock, reduzindo o número de unidades para 144.
Em meio a essa crise, a Zamp, empresa que administra as redes Burger King e Popeyes no Brasil, anunciou em junho de 2024 a aquisição da operação brasileira da Starbucks por R$ 120 milhões.
A Zamp planeja uma expansão agressiva, com a meta de alcançar 1 mil lojas no país nos próximos anos, ampliando significativamente a presença da marca no mercado brasileiro.
Por: Daniel Azevedo | Fonte: Agrofy News
Clique AQUI, entre no canal do WhatsApp da Visão Agro e receba notícias em tempo real.










