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Baleia que encalhou na Alemanha e foi achada morta na Dinamarca vai ser ‘transformada’ em biodiesel

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
15 junho, 2026
em Curiosidades, Leia mais
Tempo de leitura: 6 minutos
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Home Curiosidades
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Animal encalhou repetidas vezes na Alemanha e morreu após polêmica operação de resgate, e será processada por empresa da Dinamarca, que espera produzir combustível. Ossos serão exibidos em museu

Equipes ajudam baleia jubarte encalhada a entrar em barcaça no Mar Báltico, perto da ilha de Poel, Alemanha. — Foto: NonstopNews/Schwarck via Reuters.

A saga de “Timmy”, a baleia-jubarte que emocionou a Alemanha após encalhar repetidas vezes na costa do país e que depois foi encontrada morta na Dinamarca, ainda terá um epílogo: seus restos mortais vão virar energia, com a gordura a ser convertida em biodiesel, e o restante, em biomassa.

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Na metade de maio, a baleia foi encontrada morta nas proximidades da ilha de Anholt, na Dinamarca, dias após uma controversa – e malsucedida – operação de resgate que transportou o animal enfraquecido da costa alemã do Báltico para o Mar do Norte.

Agora, a baleia, que está em decomposição há mais de um mês, será processada em uma fábrica dinamarquesa, confirmou a empresa Daka Denmark, especializada em produzir biodiesel a partir de gordura animal.

Na fábrica da empresa em Randers, restos de baleias como a jubarte costumam ser separados em três componentes, segundo um porta-voz. A água é limpa e devolvida ao mar. Toda a gordura é transformada em biodiesel. O restante, como ossos, tendões e pele, é processado em uma espécie de farinha, que é usada como biomassa para queima em uma fábrica de cimento.

Na semana passada, a necropsia do animal, revelou que Timmy era uma fêmea. A causa da morte, no entanto, permanece desconhecida.

Durante o exame, que durou várias horas, a baleia foi aberta e cortada em partes. Uma escavadeira colocou os pedaços da carcaça em contêineres preparados. Na sexta-feira (5), os restos foram removidos da praia e, na segunda-feira (8), transportados.

Alguns ossos, recolhidos na sexta-feira, irão para a coleção do Museu de História Natural de Copenhague, capital da Dinamarca.

Drama de repercussão internacional

O drama da baleia ganhou repercussão internacional após uma sequência de encalhes na costa alemã do Mar Báltico e uma derradeira tentativa de resgate controversa.

Em 23 de março, a baleia encalhou inicialmente em um banco de areia na costa do estado alemão de Schleswig-Holstein, numa praia chamada Timmendorfer, e isso levou alguns jornais a apelidarem a baleia de “Timmy”.

Após vários dias e uma complexa operação oficial de resgate com o uso de dragas, a baleia conseguiu se libertar, mas pouco depois encalhou novamente, desta vez na Baía de Wismar, no estado vizinho de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.

A essa altura, profissionais de resgate envolvidos na operação afirmaram que a saúde do mamífero vinha se deteriorando rapidamente.

As autoridades decidiram então dar um pouco de descanso para o animal para que estivesse recuperado e pronto para aproveitar a subida da maré. Inicialmente, ela se soltou novamente e a operação pareceu ser bem-sucedida, mas logo depois a baleia evitou seguir para o Atlântico, permanecendo novamente em águas rasas no Báltico.

No início de abril, autoridades locais e especialistas envolvidos no resgate perderam a esperança de salvar Timmy e decidiram abandonar os esforços oficiais, apontando que novas tentativas configurariam crueldade animal e disseram que o melhor seria deixar a baleia morrer em paz no local.

No entanto, a baleia seguiu viva nas semanas seguintes, intensificando o drama e gerando apelos entre o público por mais tentativas de resgate.

Finalmente, na metade de abril, Till Backhaus, secretário do Meio Ambiente de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, anunciou uma mudança de posição em apoio à nova missão de resgate “única”.

Derradeira operação polêmica

A nova operação passou a ser financiada com recursos de empresários, entre eles, Walter Gunz, cofundador da rede de varejo de eletrônicos MediaMarkt, que chegou a figurar na lista dos mais ricos da Alemanha.

O empresário não deu ouvidos às críticas de especialistas em baleias e montou a equipe de resgate de acordo com as próprias preferências. Para ele, o risco era inevitável. “Sem tentativa, a baleia certamente morrerá. Tentando, ao menos existe uma chance”, afirmou na ocasião.

Pela operação, o enorme animal seria transportado por centenas de quilômetros do Báltico até águas mais profundas do Mar do Norte em uma espécie de balsa em formato de aquário.

Mas a retomada do resgate também gerou críticas na Alemanha. Kim Detloff, chefe da área de proteção marinha da Associação Alemã de Proteção da Natureza (Nabu), afirmou que a iniciativa ocorreu sob forte pressão pública, em detrimento de avaliação científica.

Especialistas também apontaram que mesmo que a operação fosse bem-sucedida em transportar a baleia até as águas mais profundas do Mar do Norte, as chances de Timmy permaneceriam mínimas, destacando que a saúde da baleia se deteriorou ao longo das semanas de encalhe no Mar Báltico.

Um grupo ligado ao Museu Oceanográfico Alemão, por exemplo, apontou o risco de a baleia se afogar após ser solta em alto-mar, apontando que um animal debilitado pode não ter forças para se movimentar livremente no mar.

A operação privada também foi marcada por desentendimentos entre os envolvidos, com uma veterinária abandonando a iniciativa e acusando dois participantes, entre eles um influenciador, de atrapalhar o resgate.

Libertação provocou críticas e questionamentos

Timmy foi finalmente solto em alto-mar em de 2 maio. Os envolvidos na operação classificaram a empreitada como um “sucesso”, mas logo surgiram questionamentos devido à falta de vídeos do momento da soltura do animal e à ausência de informações claras sobre o rastreador acoplado a ele.

Pouco depois, a controvérsia ganhou novo fôlego após a veterinária Kirsten Tönnies, que integrava a tripulação que transportava Timmy, fazer acusações graves contra os responsáveis pela operação.

Segundo Tönnies, o método usado para retirar o animal da balsa foi agressivo, e ela teria sido impedida de acompanhar a manobra. A principal dificuldade parecia ser a posição em que Timmy ficou após nadar para dentro da balsa. Devido ao tamanho reduzido da embarcação, o animal não podia se virar e nadar em direção ao mar.

As críticas ainda também se concentraram na falta de informações sobre o paradeiro e o estado de saúde de Timmy nos dias seguintes. Após a soltura, os sinais do rastreador instalado na baleia seguiram inconstantes, sem informações sobre a localização da baleia e seu estado de saúde. O transmissor aparentemente não foi testado antes da soltura.

Poucos dias após a soltura, uma baleia foi encontrada morta próxima à ilha de Anholt, na Dinamarca. O rastreador que havia sido colocado no animal antes do transporte confirmou que se tratava de Timmy.

Segundo a Secretaria do Meio Ambiente do estado alemão de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, os dados do rastreador já foram coletados e devem ser analisados o mais rapidamente possível. Assim que isso for feito, o público será informado sobre as conclusões obtidas, disse um porta-voz.

Por: Deutsche Welle | Fonte: G1

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