Com produção diversificada e projeção de recorde, indústria aposta em renovação dos canaviais e força do etanol de milho, relata StoneX
O setor sucroenergético brasileiro encerra 2025 com importantes marcos e expectativas renovadas para o próximo ano. Segundo análise da equipe de inteligência de mercado da StoneX, o ano passado foi caracterizado por movimentos relevantes nos preços, produção e consumo do etanol, além do fortalecimento do etanol de milho, que já representa uma parcela significativa da oferta nacional.
Ao longo do ano, os preços do etanol seguiram o padrão sazonal do setor. Durante o pico de safra, entre junho e julho, o mercado paulista registrou mínimas próximas a R$ 3,10 por litro, equivalente a 65% do preço da gasolina. Na segunda metade do ano, os preços voltaram a subir, encerrando dezembro em torno de R$ 3,53 por litro, o que representa alta de 11,6% frente ao final de 2024.
Segundo a equipe da StoneX, apesar do recuo no consumo de etanol hidratado, o volume de vendas permaneceu elevado, ainda que inferior ao recorde de 2024. Já as vendas totais do biocombustível (anidro e hidratado) mantiveram-se estáveis, impulsionadas pela elevação da mistura obrigatória do anidro na gasolina de 27% para 30% em agosto.
Os analistas ainda observam que o mercado de gasolina C, que influencia diretamente a competitividade do etanol, apresentou preços estáveis ao longo de 2025 em São Paulo, variando entre R$ 6,18/L e R$ 6,05/L.
Eles relembram que dois cortes nos preços da Petrobras, em junho e outubro, foram parcialmente compensados por aumentos sucessivos no ICMS, em fevereiro de 2025 e janeiro de 2026. A valorização do real e a queda nas cotações internacionais do petróleo também contribuíram para o cenário de preços, completam.
Etanol de milho ganhando espaço
O etanol de milho consolidou seu espaço em 2025, mesmo sem atingir as projeções mais otimistas do início do ano. Segundo a StoneX, o destaque nacional foi o Maranhão, com a usina da Inpasa em Balsas produzindo próximo de 1 bilhão de litros anuais.
De acordo com a consultoria, a margem operacional do produto se manteve favorável, próxima a 40% em Mato Grosso, resultado do recuo nos preços do milho e da valorização do etanol. Além disso, novos projetos reforçam a expansão do segmento: mais de 40 usinas de cereais foram mapeadas pela StoneX, sendo 12 nas regiões Norte e Nordeste, o que pode elevar o número de usinas no país para mais de 70 até o fim da década.
O ano de 2025 também marcou uma mudança no mix produtivo das usinas do Centro-Sul, que, apesar do recorde na produção de açúcar, já sinalizam retorno do foco para o etanol devido à queda nos preços do adoçante e à melhor remuneração do biocombustível. Para os analistas, a reversão de tendência deve se intensificar em 2026, especialmente até abril ou maio, com expectativa de redução significativa na proporção de produção voltada ao açúcar.
Tendências para 2026
Para 2026, as projeções da StoneX são otimistas. A oferta de etanol deve alcançar novo recorde, sendo estimada em 36,1 bilhões de litros, crescimento de 9,3% em relação à safra anterior.
O avanço, de acordo com a consultoria, será impulsionado tanto pelo aumento do mix produtivo alcooleiro quanto pela expansão do etanol de milho, além de condições climáticas favoráveis e renovação dos canaviais.
Assim, apesar da alta do ICMS da gasolina e do aumento da mistura de etanol, a StoneX crê que a tendência é de queda dos preços médios do etanol. A projeção é que a relação entre o preço do biocombustível e o da gasolina fique estável, próxima a 66% em São Paulo. Com isso, o hidratado deve manter uma participação de mercado próxima a 30%.
Diante desse cenário, a StoneX aponta que o setor sucroenergético aguarda 2026 como um ano de novas oportunidades, mas também de desafios para as margens das usinas que processam cana-de-açúcar.
Fonte: StoneX
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