Resultado líquido da companhia foi de R$ 172,8 milhões no período

A decisão da São Martinho de concentrar as vendas de etanol para o fim da safra 2025/26, que a empresa tomou no ano passado, permitiu à companhia aproveitar a alta dos preços da última entressafra e registrar um forte crescimento em seu lucro do quarto trimestre da temporada. O resultado líquido de janeiro a março alcançou R$ 172,8 milhões, um salto de 64,6% na comparação anual.
De todo o volume de etanol que a companhia produziu na safra, incluindo do milho, 39,6% foi vendido apenas no quarto trimestre, e a preços 4% mais altos. Com isso, apenas a receita com as vendas de etanol no trimestre cresceram 43,1%, para R$ 1,4 bilhão. A receita líquida total do trimestre cresceu 29,1% e alcançou R$ 2,2 bilhões.
“Quando percebemos que o carregamento [para a entressafra] seria positivo, focamos tudo o que tínhamos de capacidade no último trimestre”, afirmou Fábio Venturelli, CEO da São Martinho. Essa decisão penalizou os resultados com as vendas do terceiro trimestre da safra, mas contribuíram para que a companhia alcançasse um avanço de 50,6% em seu lucro líquido da temporada, de R$ 836,2 milhões.
A companhia também viu sua margem do etanol crescer no último trimestre, enquanto a margem do açúcar recuou com a queda dos preços — o valor do açúcar vendido caiu 11,8%. No trimestre, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) subiu 41,9%, a R$ 1,1 bilhão, e a margem Ebitda ajustado cresceu 4,4 pontos percentuais, a 48,8%.
Nas vendas de açúcar, a São Martinho registrou uma receita maior tanto no trimestre quanto no acumulado da temporada, decorrente do perfil mais açucareiro da produção da última safra. Porém, os baixos preços comprimiram as margens no último trimestre, disse Felipe Vicchiato, diretor financeiro e de relações com investidores.
A companhia também começou a colher os frutos de investimentos recentes, como o da nova caldeira da unidade de cogeração, que permitiu um aumento na energia gerada mesmo com uma moagem de cana estável. Na safra, enquanto o volume de cana processado subiu 0,6%, a 21,9 milhões de toneladas, a energia cogerada cresceu 11%, a 875,4 mil megawatts-hora (MWh). A receita com cogereação na safra subiu 22,5%, a R$ 285,8 milhões.
A companhia avança agora na operação da safra 2026/27 esperando uma moagem recorde, de 23,7 milhões de toneladas de cana, impulsionada pelos canaviais comprados da Usina Santa Elisa. Apesar das estimativas de aumento da oferta de etanol neste ciclo, Venturelli acredita que o renovável conquistará participação de mercado, podendo chegar a 30%. “Se operar o ano todo em 30% de participação de mercado no Ciclo Otto, devemos ter situação de oferta e demanda equilibrada”, disse.
No seu plano de alocação de capital, a prioridade é construir a segunda fase da usina de etanol de milho, com desembolso de R$ 800 milhões projetado para a safra. O investimento deve ser concluído em 2027. A companhia ainda anunciou uma proposta de distribuição de dividendos de R$ 69 milhões.
Por: Camila Souza Ramos | Fonte: Globo Rural
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