domingo, julho 26, 2026
Visão Agro - A melhor Visão do Agronégócio
  • NOTÍCIAS
  • EXCLUSIVAS
  • VISION TECH
  • PRÊMIO VISÃO
  • CALENDÁRIO
  • QUEM SOMOS
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Visão Agro - A melhor Visão do Agronégócio
  • NOTÍCIAS
  • EXCLUSIVAS
  • VISION TECH
  • PRÊMIO VISÃO
  • CALENDÁRIO
  • QUEM SOMOS
Visão Agro - A melhor Visão do Agronégócio
Nenhum resultado
Ver todos os resultados

Caroço do açaí vira de utensílios domésticos a biocombustíveis

Maria Reis por Maria Reis
27 agosto, 2025
em Biocombustíveis
Tempo de leitura: 6 minutos
A A
0
Home Bioenergia Biocombustíveis
Compartilhe no WhatsappShare on TwitterCompartilhe no Linkedin
Caroço de açaí é usado para a fabricação de produtos sustentáveis | Foto: Pablo Porciuncula

Além de ser consumido como alimento, de diversas formas, em todo o Brasil e no exterior, o açaí vem ganhando novos usos, que fortalecem a bioeconomia e ajudam a preservar o meio ambiente.

O caroço do fruto, que geralmente é descartado sem nenhuma utilidade, agora é usado para a fabricação de produtos sustentáveis em um projeto da Fecaf (Federação das Cooperativas da Agricultura Familiar do Estado do Pará) em parceria com a empresa SP Ecologia, e pode ser transformado em óleos, combustíveis, carvão e asfalto, segundo pesquisa desenvolvida pela UFPA (Universidade Federal do Pará), em parceria com outras instituições.

Leia mais

Lei de Reciprocidade “não nos dá o direito de perder a razão”, diz ministro

Tarifaço dos EUA terá efeito limitado sobre etanol brasileiro, dizem especialistas

Unica defende política brasileira para o etanol após tarifa dos EUA

MP pede que TCU apure indícios de irregularidades na aprovação do E32

“Nós extraímos a fibra do caroço do açaí e enviamos para a empresa SP Ecologia, de São Paulo, que usa esse material para a confecção de produtos como copos, tigelas, canecas e colheres”, diz, em entrevista a Ecoa, o presidente da Fecaf, César Marinho.

O gerente de desenvolvimento da SP Ecologia, Marcelo Dias, explica que “as fibras são misturadas com plástico”. “Além de retirar o resíduo do meio ambiente, a gente diminui em 40% o uso do plástico. É um material muito sustentável”, avalia. “A gente vai lançar a escova de dente de açaí, tanto a de viagem quanto a do dia a dia.”

A SP Ecologia trabalha há 17 anos com foco na economia circular, fabricando brindes ecológicos para o mercado corporativo. “Há 8 anos, iniciamos a mistura do plástico com fibras naturais, inicialmente de coco e de madeira. Hoje usamos também arroz, bambu e, recentemente, fizemos testes com café e com cacau.”

A fabricação de produtos à base da fibra do caroço do açaí é recente. A parceria com a Fecaf que começou no final do ano passado. “Mas eu tenho certeza de que é um negócio que vai crescer bastante e bem rápido, principalmente por causa da COP30, em Belém. A Fecaf vai apresentar nossos produtos durante o evento”, completa Dias.

Além dos produtos finais, a SP Ecologia também comercializa o que o gerente chama de “granulado”, que é a mistura das fibras com o plástico. “As empresas podem injetar essa matéria-prima nos moldes delas para fazer os próprios produtos.”

Do fruto à fibra

A coleta dos caroços, nos pontos de venda de açaí em Belém e na região metropolitana é feita por mulheres em situação de vulnerabilidade, que encontraram no projeto uma fonte de renda. O processo de extração da fibra é realizado por uma máquina desfibradora que foi desenvolvida pela Fecaf em parceria com a Ufra (Universidade Federal Rural da Amazônia).

“É uma máquina cilíndrica, como um liquidificador, com um processo de lixamento giratório, que vai extraindo as fibras”, explica Marinho.

“Nós fabricamos a desfibradora e distribuímos para as comunidades nos bairros. A demanda pelo equipamento é grande. Então estamos buscando novos parceiros para aumentar a produção.” César Marinho, presidente da Fecaf

Além do benefício econômico e social, o projeto propõe uma solução para o problema ambiental do descarte irregular do caroço do açaí. “Os batedores [aqueles que processam e vendem o fruto] jogam esse resíduo, que é a semente depois de batida, no meio da rua. Se você andar por Belém, principalmente nas regiões periféricas, você vai encontrar muitos caroços de açaí espalhados por todos os lugares. É um produto orgânico, que fermenta, cria chorume. Os animais fazem as necessidades ali, e isso contamina o meio ambiente”, explica Marinho.

O professor Nélio Teixeira Machado, coordenador de um projeto de aproveitamento do caroço do açaí na UFPA, explica que 85% do produto do processamento do fruto é de resíduos. “Ou seja, se você processa 1.000 kg de açaí, você vai gerar 850 kg de resíduos.”

Então, para ele, além de valorizar um produto sustentável, os projetos que usam o caroço do açaí contribuem “com a questão do descarte irregular, principalmente em Belém e na região metropolitana”.

Combustíveis sustentáveis

Na UFPA, em Belém, o projeto Sustenbio Energy desenvolveu produtos, como biocombustíveis, biocarvão e bioasfalto, usando os caroços do açaí e de outro fruto amazônico, o tucumã.

“Nós iniciamos a pesquisa em 2015, com a orientação da tese de doutorado do professor Douglas Alberto Rocha de Castro, da Universidade Federal do Amazonas, com foco na transformação e valorização de resíduos da cadeia do açaí para a produção de biocombustíveis líquidos, biocarvão e bioasfalto”, explica, em entrevista a Ecoa, o professor Nélio Teixeira Machado, do Programa de Doutorado em Engenharia de Recursos Naturais da Amazônia da UFPA, um dos coordenadores do projeto.

As pesquisa e experimentos são desenvolvidos no Laboratório de Transformação e Valorização de Resíduos Agroindustriais: Nanocatalisadores, SAF (Sustainable Aviation Fuel) e Hidrogênio Verde, na UFPA, que foi inaugurado no último mês de dezembro. O financiamento do projeto é do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa).

“Podemos, de forma lenta e gradual, substituir os combustíveis fósseis, nesse caso, o petróleo, por combustíveis líquidos produzidos a partir de biomassa residual”, afirma Machado.

“Nós podemos fabricar todos os produtos da cadeia petroquímica de uma maneira verde e renovável” Nélio Teixeira Machado, professor em Engenharia de Recursos Naturais da Amazônia

O potencial de uso do caroço do açaí no Pará é imenso. Segundo Machado, o estado é responsável por 98% da produção nacional do fruto, “que, no ano de 2023, foi de 1.750.000 toneladas”.

O professor ressalta que os produtos fabricados a partir do caroço do açaí também demonstraram muita qualidade para o seu uso. “O biogás tem alto poder calorífico, que pode ser utilizado, por exemplo, na geração de energia em turbinas. O bio-óleo é rico em hidrocarbonetos, que podem, após destilação, ser transformados em combustíveis verdes, na forma de gasolina, querosene, diesel leve e diesel pesado”, explica.

Ele afirma ainda que há “um produto de fundo, que é o resíduo do resíduo, que nós chamamos de bioasfalto ligante”. “Ele pode substituir o piche na produção de recap, que é o concreto asfáltico de petróleo.”

O projeto é multidisciplinar, envolvendo diferentes faculdades, e multi-institucional, com participação, além da UFPA, da Ufra (Universidade Federal Rural da Amazônia), da Unifesspa (Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará), da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), da UEA (Universidade do Estado do Amazonas), da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e do IME (Instituto Militar de Engenharia).

“Atualmente buscamos um investidor que possa apoiar essa empreitada acadêmico-científica de forma que nós possamos produzir um portfólio, mostrando as vantagens do processo de transformação termoquímica desses resíduos”, finaliza Machado.

Por: Augusto Pinheiro | Fonte: UOL

Clique AQUI, entre no canal do WhatsApp da Visão Agro e receba notícias em tempo real.

SendTweetCompartilhar
Artigo anteiror

Produção de cana-de-açúcar na safra 2025/26 é atualizada para 668,8 milhões de toneladas

Próximo post

Vision Tech confirma presença de Rosana Amadeu, presidente do CEISE Br

Maria Reis

Maria Reis

Notícias Relacionadas

Lei de Reciprocidade “não nos dá o direito de perder a razão”, diz ministro

Lei de Reciprocidade “não nos dá o direito de perder a razão”, diz ministro

23 julho, 2026
Com tarifaço de Trump, agro pode faturar metade do valor de 2024

Tarifaço dos EUA terá efeito limitado sobre etanol brasileiro, dizem especialistas

23 julho, 2026
Unica defende política brasileira para o etanol após tarifa dos EUA

Unica defende política brasileira para o etanol após tarifa dos EUA

20 julho, 2026
Etanol: anidro e hidratado fecham pela 2ª semana em queda no Indicador da USP

MP pede que TCU apure indícios de irregularidades na aprovação do E32

20 julho, 2026
Be8 projeta suprir 24% da demanda gaúcha por etanol anidro com usina de trigo

E32 reduz dependência de gasolina importada e amplia segurança energética, defende Unica

17 julho, 2026
Volkswagen vê espaço para vender carro movido só a etanol no Brasil

Agronegócio quer protagonizar transição energética, diz vice-presidente da CNA

15 julho, 2026
ETANOL: Indicadores seguem em queda

E32 pode adicionar 1 bilhão de litros à demanda anual por etanol anidro

14 julho, 2026
Solução desenvolvida pela USP pode reduzir perda de produção de etanol por contaminação

Setor do etanol avalia judicialização por perdas com subsídio à gasolina

14 julho, 2026
Usinas paraense e goiana recebem autorização da ANP para aumento de produção diária

ANP monitora abastecimento de combustíveis no Norte para reduzir impacto do El Niño

10 julho, 2026
Saiba quem são as três maiores produtoras de etanol de milho no Brasil

Produtores de milho dos EUA pedem retaliação ao Brasil por barreiras contra etanol americano

9 julho, 2026
Carregar mais
Próximo post
Vision Tech confirma presença de Rosana Amadeu, presidente do CEISE Br

Vision Tech confirma presença de Rosana Amadeu, presidente do CEISE Br

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais lidas da semana

  • Trending
Com impacto de provisões para perdas, Raízen teve prejuízo de R$ 27 bilhões na safra 2025/26

Moody’s rebaixa Cosan após crise na Raízen e mantém perspectiva negativa

20 julho, 2026
Compra de usina da Raízen não altera perspectiva para Adecoagro, diz S&P

Compra de usina da Raízen não altera perspectiva para Adecoagro, diz S&P

22 julho, 2026
Opinião: O etanol de milho: a bala de prata do setor sucroenergético

Opinião: O etanol de milho: a bala de prata do setor sucroenergético

23 julho, 2026
Grupo Itajobi busca reestruturar R$ 3,76 bilhões em dívidas

Grupo Itajobi busca reestruturar R$ 3,76 bilhões em dívidas

21 julho, 2026
As 10 maiores cooperativas do agronegócio brasileiro

As 10 maiores cooperativas do agronegócio brasileiro

30 janeiro, 2026
LinkedIn Instagram Twitter Youtube Facebook

CONTATO
(16) 3945-5934
atendimento@visaoagro.com.br
jornalismo@visaoagro.com.br
comercial@visaoagro.com.br

VEJA TAMBÉM

  • Prêmio Visão Agro
  • Vision Tech Summit 
  • AR Empreendimentos

Todos os direitos reservados 2024 © A R EMPREENDIMENTOS COMUNICAÇÃO E EVENTOS LTDA – CNPJ: 05.871.190/0001-36

Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Bioenergia
    • Biocombustíveis
    • Biogás
    • Biomassa
    • Energia renovável
    • Usinas
  • Mundo Agro
    • Cooperativismo
    • Sustentabilidade
    • Tecnologia
  • Mercado
    • Clima
    • Economia
    • Geopolítica
    • Internacional
    • Negócios
    • Política e Governo
    • Transporte
  • Culturas
    • Algodão
    • Café
    • Cana de Açúcar
    • Fruticultura
    • Grãos
    • Milho
    • Pecuária
    • Soja
    • Trigo
  • Insumos agrícolas
    • Adubos e fertilizantes
    • Biológicos e Bioinsumos
    • Defensivos Agrícolas
    • Implementos Agrícolas
    • Irrigação
    • Máquinas agrícolas
  • Eventos Visão Agro
    • Vision Tech Summit – Indústria do Amanhã
    • Prêmio Visão Agro Brasil
    • Vision Tech Summit – Agro
    • Prêmio Visão Agro Centro – Sul
  • Em destaque
  • Leia mais

Todos os direitos reservados 2024 © A R EMPREENDIMENTOS COMUNICAÇÃO E EVENTOS LTDA – CNPJ: 05.871.190/0001-36