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Futuro do agro no Nordeste passa pelos biocombustíveis, com foco no etanol de milho

Maria Reis por Maria Reis
22 agosto, 2025
em Biocombustíveis
Tempo de leitura: 4 minutos
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Home Biocombustíveis
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Inauguração de uma usina de etanol de milho no Maranhão marca início de um movimento que deve impulsionar o desenvolvimento da região, dizem analistas

O futuro do agronegócio no Nordeste passa pelo setor de biocombustíveis, com destaque para o etanol de milho. Essa é a avaliação de Bruno Wanderley, sócio e economista sênior da Datagro Markets, durante o Fórum NE, evento da Exame em parceria com o Banco do Nordeste, que discutiu os potenciais de desenvolvimento da região Nordeste do Brasil.

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“A produção de biocombustíveis no Nordeste está ganhando força, não apenas pela demanda crescente de etanol, mas também pela inovação em matérias-primas como o agave e a macaúba, que oferecem soluções sustentáveis e de baixo custo em comparação com a cana-de-açúcar”, afirmou Wanderley.

Segundo o economista, a inauguração de uma usina de etanol de milho da Inpasa, biorrefinaria de grãos, na cidade de Balsas, no sul do Maranhão, marca o início de um movimento que deve impulsionar o desenvolvimento da região.

“A busca por alternativas sustentáveis e eficientes no setor de biocombustíveis está levando o Brasil a explorar o potencial do Nordeste. O foco é agregar valor”, disse.

A usina da Inpasa tem capacidade para processar 2 milhões de toneladas de milho e sorgo por ano. A planta produzirá anualmente cerca de 925 milhões de litros de etanol, 490 mil toneladas de DDGS (produto para nutrição animal) e 47 mil toneladas de óleo vegetal.

Balsas foi escolhida por sua localização estratégica, com alta produtividade agrícola, infraestrutura logística em expansão e grande potencial para inovação. O município é o segundo maior produtor de grãos do estado, com 602 mil toneladas, segundo dados do Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (Imesc).

A região Nordeste do Brasil tem uma produção de etanol significativa, principalmente de cana-de-açúcar, embora represente uma parcela menor da produção nacional.

“O Banco do Nordeste vai apoiar todas essas agroindústrias que estão trabalhando com etanol e biocombustíveis, porque isso vai ao encontro de uma política de diversificação da produção do cerrado”, diz o superintendente de agronegócio e microfinança rural da instituição, Luiz Sérgio Farias Machado.

Em 2023/24, o Nordeste contribuiu com 5,7% da produção total do país, com Alagoas, Pernambuco e Paraíba sendo os principais produtores. Mas na visão do chefe-geral da Embrapa Maranhão, Marco Aurélio Bomfim, há espaço para crescer mais.

Segundo ele, o órgão tem desenvolvido pesquisas com algumas culturas, como o agave, planta tradicionalmente usada na produção de tequila, mas com grande potencial para a produção de etanol. Além do agave, destacam-se a macaúba e novas oportunidades para o milho.

“Com o avanço de pesquisas e investimentos no setor, o Nordeste se destaca como uma fronteira promissora para a produção de biocombustíveis, oferecendo soluções eficientes e sustentáveis, como o etanol de milho e o bioquerosene, que têm o poder de transformar a matriz energética do Brasil”, afirmou Bomfim.

Porto do Itaqui

Além dos biocombustíveis, o investimento em infraestrutura é outra grande aposta da região. Para Luciana Kuzolitz, gerente de Planejamento e Negócios do Porto do Itaqui, localizado em São Luís, a melhoria da infraestrutura é uma das principais vias para fomentar o setor.

“Estamos investindo com capital próprio na infraestrutura de base para garantir competitividade”, afirmou.

Em fevereiro deste ano, o Porto do Itaqui anunciou investimentos da ordem de R$ 290 milhões para a construção de um novo berço – local para atracação de navios, onde as embarcações podem se aproximar do cais para operações de carga e descarga.

Atualmente, o porto conta com nove berços de atracação, com profundidades que variam de 12 a 19 metros, sendo capazes de receber navios de grande porte.

Em 2024, foi iniciada a construção de mais um berço, o que deverá aumentar a capacidade de exportação em mais de 8 milhões de toneladas por ano. A nova estrutura visa atender à crescente demanda por exportação e importação de cargas, principalmente de grãos como a soja, diz a executiva.

Por: César H. S. Rezende | Fonte: Exame

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