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Governo de São Paulo financia R$ 56 milhões em irrigação sustentável

Maria Reis por Maria Reis
4 março, 2026
em Mundo Agro
Tempo de leitura: 5 minutos
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Home Mundo Agro
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Em um ano, linha de crédito para irrigação contabiliza 8 mil hectares beneficiados

Nesse cenário, o Governo de São Paulo lançou, em 2025, a linha de crédito Irriga+SP, operacionalizada pelo Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap) | Foto: Divulgação Agência SP

Diante de períodos cada vez mais frequentes de escassez hídrica, a irrigação se tornou estratégica para garantir a continuidade da produção agrícola, o uso racional da água e a segurança alimentar no campo paulista.

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Nesse cenário, o Governo de São Paulo lançou, em 2025, a linha de crédito Irriga+SP, operacionalizada pelo Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), em parceria com a Desenvolve SP. Em um ano, o programa contabiliza mais de 8 mil hectares beneficiados, somando R$ 56 milhões em investimentos.

Para o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho, a política de irrigação é uma agenda estratégica para garantir produção, renda e abastecimento. “A irrigação deixou de ser apenas uma ferramenta de aumento de produtividade e passou a ser um instrumento de segurança alimentar”, afirma.

Ele ainda complementa: “Em um cenário de mudanças climáticas e eventos extremos, investir em eficiência hídrica significa proteger a produção de alimentos, dar previsibilidade ao produtor e assegurar abastecimento para a população. Cada projeto viabilizado pelo Irriga+SP representa mais estabilidade no campo e mais segurança alimentar dentro e fora do estado”.

A linha de crédito oferece prazo de até 60 meses, com carência de até 18 meses, financiamento de até R$ 5 milhões por projeto e limite de até mil hectares de área produtiva. As taxas de juros são subsidiadas, variando entre 4,81% e 10,87% ao ano.

Os recursos podem ser utilizados na aquisição de sistemas modernos de irrigação, como gotejamento, aspersão, pivô central e carretel enrolador, além de soluções em energia fotovoltaica e armazenamento, tecnologias de agricultura de precisão, como drones e sensores, estufas climatizadas, projetos de captação e reuso de água, infraestrutura para transporte hídrico, bem como treinamentos e serviços especializados para implantação dessas tecnologias.

O secretário executivo do FEAP, Felipe Alves, destaca a iniciativa como uma política pública alinhada às necessidades reais do produtor rural paulista. “Ao facilitar o acesso ao crédito com condições atrativas, o programa cria condições para a adoção de tecnologias modernas de irrigação, amplia a eficiência no uso da água e contribui para o aumento da produtividade e da renda no campo”, afirma.

O desempenho do programa também é destacado pela Desenvolve SP, que atua na operacionalização do crédito. “A linha de crédito vem sendo muito bem recebida pelos produtores rurais paulistas e tem dado apoio essencial ao agronegócio. Só em 2026, já foram mais de R$ 15 milhões em financiamentos para irrigação e agricultura de precisão, contribuindo para mitigar os efeitos da estiagem que atingiu o estado nos últimos anos, além de aumentar a produtividade e diversificar as culturas”, ressaltou o diretor-presidente da Desenvolve SP, Ricardo Brito.

O produtor rural Jamil Buchala, contemplado com o financiamento, afirma que o Irriga+SP surgiu no momento certo e com a praticidade necessária para viabilizar o crédito. “Isso me deixou bastante impressionado, principalmente pela agilidade do programa. Já estamos com o reservatório pronto para receber a água, os poços concluídos e toda a estrutura do pivô em montagem. Esse projeto era um sonho antigo, e a oportunidade apareceu na hora certa”, relata.

Além do Irriga+SP, o Feap mantém a linha de crédito Desenvolvimento Rural Sustentável (DRS), que também atende projetos de agricultura irrigada. Em 2025, a modalidade contemplou mais de 170 operações, com investimento total de R$13 milhões.

Para a pesquisadora do Instituto Agronômico (IAC-APTA), Jane Silveira, o desenvolvimento da agricultura irrigada no estado de São Paulo está diretamente ligado à diversidade de cultivos de interesse econômico e social.

“A importância da irrigação ultrapassa as metas de produtividade e qualidade, pois abrange desde pequenos produtores que utilizam a tecnologia nos cultivos de café e olerícolas até grandes produtores da citricultura e da cana-de-açúcar. Em ambos os casos, a irrigação contribui significativamente para o aumento da produtividade e da renda, além de garantir qualidade para atender mercados mais exigentes e possibilitar o escalonamento da produção”, disse.

Pesquisa e demanda por irrigação

O Instituto Agronômico desenvolve diversas pesquisas voltadas à eficiência hídrica e à redução da necessidade de irrigação. Os estudos avaliam a qualidade e o desempenho dos sistemas irrigáveis, suas vantagens e limitações, com o objetivo de economizar água e otimizar o uso dos equipamentos no campo.

Um dos exemplos é o Programa de Melhoramento Genético do Feijoeiro, que vai além do impacto econômico da produção e considera todos os aspectos da cultura sob a ótica da sustentabilidade. O pesquisador do IAC, Alisson Chiorato, explica que uma das frentes do trabalho está relacionada à redução do ciclo da planta.

“Com o desenvolvimento de cultivares de ciclo precoce, os produtores conseguem realizar a colheita em menos tempo, economizando até 20% de água utilizada na irrigação. Consequentemente, há também economia de energia elétrica e redução do consumo de água das represas. Essa é uma característica sustentável que a equipe do IAC vem desenvolvendo de forma consistente”, afirma.

Para complementar esses estudos, o IAC também levanta as demandas hídricas de diversas culturas agrícolas, com indicadores de eficiência no uso da água. As pesquisas começaram antes da década de 1950 e envolvem a análise das fases da planta, os períodos mais críticos de déficit hídrico em diferentes espécies e, mais recentemente, a adoção de imagens aéreas para aprofundar o entendimento sobre o consumo de água no campo.

Fonte: Agência SP

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