A safra 2025/26 está apresentando um desempenho abaixo do esperado, segundo a coordenadora de inteligência de mercado Lívea Coda
Os preços do açúcar bruto recuperaram 65 pontos durante o mês de julho, impulsionados pelas discussões tarifárias, pelo possível uso de açúcar na produção da Coca-Cola nos Estados Unidos (substituindo o xarope de milho com alto teor de frutose), pelas atividades de licitação no Paquistão e por uma revisão para cima dos números de importação da China pelo Ministério da Agricultura do país.
“Enquanto isso, os relatórios da Unica [União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia] apresentaram um quadro um tanto misto. Embora os dados do final de junho continuassem refletindo um desempenho fraco, a primeira quinzena de julho mostrou volumes de moagem fortes”, observa a coordenadora de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets, Lívea Coda.
Ela complementa: “A ambiguidade decorre principalmente do fato de que o ATR [Açúcar Total Recuperável] permanece abaixo das safras anteriores, enquanto o mix de açúcar continua a bater recordes, apesar das discussões anteriores sobre um possível desvio para o etanol”.

Como resultado, Coda aponta que agosto começou com algumas correções marginais nos preços. A diferença na produção de açúcar em comparação com a safra 2024/25 diminuiu de 14,2% para 9,2%, com base nos dados quinzenais mais recentes do Centro-Sul do Brasil.
Além disso, a Índia divulgou sua primeira estimativa para a próxima safra. A produção bruta de açúcar (antes do desvio) deve aumentar 18%, atingindo aproximadamente 34,9 milhões de toneladas, ante 29,5 milhões de toneladas no ciclo atual.
Segundo a coordenadora, tendo em vista que o mercado se mantém morno enquanto aguarda novos desenvolvimentos, a última análise da Hedgepoint envolveu reestimar a safra de açúcar do Centro-Sul com base nas informações mais recentes disponíveis.
Coda relembra que, no final de 2024, analistas de mercado, incluindo a Hedgepoint, previam que a nova safra superaria a anterior, ou seria tão boa quanto, especialmente devido às chuvas favoráveis entre outubro e janeiro, um período crítico para o desenvolvimento da cana na região Centro-Sul do Brasil. “No entanto, agora, parece que os efeitos prolongados dos incêndios do ano passado e o início seco de 2025 afetaram negativamente a cana moída durante a primeira parte da safra”, diz.

Ainda assim, para a analista, há motivos para acreditar que a situação pode não ser tão grave quanto parece. “Analisando o Índice de Saúde da Vegetação (VHI), observamos que, à medida que a atividade de moagem ganhou impulso, o índice começou a apresentar resultados significativamente melhores. Isso pode sugerir que a cana ainda a ser moída poderá apresentar resultados mais sólidos daqui para frente”, afirma.
De acordo com ela, para explorar o potencial de resiliência, foram realizadas análises nas safras em que a produtividade acumulada final superou os números de abril, ou seja, 2012/13, 2015/16 e 2022/23. “Em cada um desses anos, o comportamento do VHI se assemelhou ao que estamos vendo em 2025/26: um início lento, seguido por um aumento acentuado à medida que a colheita avançou”, afirma.

Ainda segundo a coordenadora, um padrão notado nessas temporadas foi um declínio mais suave na produtividade mensal durante o meio da temporada, indicando alguma resiliência. Isso foi seguido por uma recuperação mais pronunciada na segunda metade da safra (após julho).
Em termos de volume de moagem, essas três safras também tiveram mais cana processada após o final de julho. “Enquanto a média de 13 anos mostra que cerca de 50% da cana da safra é moída até o final da segunda quinzena de julho, a média para o grupo foi de apenas 46%.
Em contrapartida, as safras recentes que não apresentaram recuperação do VHI no meio da safra nem resiliência da produtividade. Neste caso, foram observadas as temporadas de 2019/20 a 2024/25. Segundo Coda, elas tiveram uma média de 53% moída no mesmo período.
“Como a safra 2025/26 parece se alinhar mais com o primeiro grupo, é provável que haja alguma melhora. Com base em nossos cálculos, o rendimento acumulado ainda pode chegar a 76 t/ha, resultando em aproximadamente 605 milhões de toneladas de cana”, explica.

O teor ATR, no entanto, apresenta um desafio mais complexo. De acordo com ela, os valores mais baixos parecem estar intimamente ligados a questões de produtividade. Portanto, embora possa ocorrer alguma melhora junto com a recuperação da produtividade, comparações históricas sugerem um potencial de alta limitado. “Nossa análise aponta para um nível de ATR em torno de 136,4 kg/t, o que restringiria os volumes finais de produção de açúcar e etanol”, diz.
Ainda segundo ela, houve uma discussão considerável até meados de julho sobre a possibilidade de aumento do desvio de matéria-prima para a fabricação de etanol. No entanto, os preços do açúcar permaneceram atraentes, mesmo com apenas ganhos marginais no mercado internacional, e o mix de açúcar tem se mostrado “surpreendentemente forte, chegando até a quebrar recordes”.
“Os últimos relatórios da Unica já indicavam que nossa estimativa anterior, de 51,2%, parecia ser muito conservadora”, aponta e segue: “Dados os preços atuais e a crescente dificuldade de mudar a produção, revisamos nossa expectativa de volta ao consenso do mercado no início do ano: as usinas vão se esforçar para atingir um nível de 52%”.

Segundo Coda, essa mudança implica em estoques de etanol mais apertados. “Não de forma crítica, mas o suficiente para sugerir preços mais altos durante o período de entressafra, o que poderia reduzir a demanda e dar suporte adicional aos preços do açúcar”, explica.
Levando em consideração todas as revisões, a previsão da consultoria para a produção de açúcar foi reduzida em aproximadamente 650 mil toneladas, para 40,9 milhões de toneladas. Já a projeção de exportação passou a ser de 31,9 milhões de toneladas.

De acordo com a coordenadora, isso afeta diretamente as expectativas para os fluxos comerciais, tornando o excedente um pouco menos forte e, portanto, contribuindo para um nível de preço acima de 16 centavos de dólar por libra-peso.
Fonte: Hedgepoint
Clique AQUI, entre no canal do WhatsApp da Visão Agro e receba notícias em tempo real.











