Conselho de administração aprovou investimento de US$ 1 bilhão na UFN-III, visando reduzir a dependência brasileira de importados
A Petrobras aprovou a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), marcando um novo avanço na estratégia da companhia de reforçar sua atuação no segmento de fertilizantes.
A decisão foi tomada pelo conselho de administração nesta segunda-feira, 13, após reavaliação que confirmou a viabilidade técnica e econômica do projeto.
O investimento estimado para a conclusão da fábrica é de cerca de US$ 1 bilhão, com previsão de início das operações comerciais em 2029. A retomada das obras deve ocorrer ainda no primeiro semestre deste ano, após a assinatura dos contratos necessários, e pode gerar aproximadamente 8 mil empregos durante a fase de construção.
Paralisada desde 2015, a unidade voltou ao radar da estatal em 2023, quando a Petrobras decidiu retomar investimentos no setor, considerado estratégico para o país.
Segundo o diretor de processos industriais da companhia, William França, o movimento fortalece a integração com o agronegócio e contribui para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados.
“Ao retomar os investimentos nesse segmento, fortalecemos a integração com o agronegócio e contribuímos diretamente para a redução da dependência do país em relação à importação de fertilizantes”, afirmou o executivo.
A localização da fábrica é vista como um diferencial competitivo. De acordo com a Petrobras, a unidade está próxima aos principais mercados consumidores das regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, o que deve facilitar a distribuição e ampliar a competitividade dos produtos.
A diretora de engenharia, tecnologia e inovação da estatal, Renata Baruzzi, destacou que o projeto apresentou Valor Presente Líquido (VPL) positivo em todos os cenários analisados, atendendo aos critérios internos de governança e disciplina de capital da companhia.
Capacidade e importância para o agro
A UFN-III terá capacidade nominal de produção de cerca de 3,6 mil toneladas diárias de ureia e 2,2 mil toneladas de amônia. Parte da produção de amônia, cerca de 180 toneladas por dia, poderá ser destinada à comercialização.
A ureia é, hoje, o fertilizante nitrogenado mais consumido no Brasil, com demanda anual próxima de 8 milhões de toneladas. O insumo é amplamente utilizado em culturas como milho, cana-de-açúcar, café, trigo e algodão, além de aplicações na pecuária.
Já a amônia é matéria-prima essencial tanto para a produção de fertilizantes quanto para a indústria petroquímica, reforçando o papel estratégico do projeto não apenas para o agronegócio, mas também para a cadeia industrial.
Para 2026, a projeção do banco Rabobank é de que a demanda brasileira fique em torno de 47,2 milhões de toneladas, abaixo dos 49 milhões registrados em 2025.
O Brasil depende de importações para cerca de 90% dos fertilizantes que utiliza. Embora a participação do Oriente Médio venha diminuindo, a região ainda responde por parte relevante do fornecimento. Atualmente, cerca de 12% dos fertilizantes importados têm essa origem. No caso da ureia, 36% das importações em 2025 vieram da região, abaixo dos 53% registrados em 2021.
Com a retomada da UFN-III, a Petrobras busca ampliar a oferta doméstica de fertilizantes, reduzir a exposição do país ao mercado externo e impulsionar o desenvolvimento regional em uma das principais fronteiras agrícolas do Brasil.
Por: Andressa Simão | Fonte: CNN Brasil
Clique AQUI, entre no canal do WhatsApp da Visão Agro e receba notícias em tempo real.















