Primeiros painéis do evento resgatam a história dos fundadores do programa e homenageiam líderes que impulsionaram o desenvolvimento do etanol no Brasil

A 25ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol, aberta nesta segunda-feira (20), em São Paulo, marca uma edição histórica: a celebração dos 25 anos do evento e os 50 anos do Proálcool, programa que transformou a matriz energética brasileira e consolidou o país como referência mundial na produção de biocombustíveis.
O primeiro painel, intitulado “Uma História de Pioneirismo”, foi conduzido por Plinio Nastari, presidente da DATAGRO, e prestou tributo aos fundadores e articuladores do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), lançado em 1975. O debate reuniu Celso Torquato Junqueira Franco, ex-presidente da UDOP, Lamartine Navarro Neto, sócio-diretor da L. Navarro Consultoria em Bioenergia, Maurílio Biagi Filho, presidente do Grupo Maubisa, Elizabeth Anne Lyra Lopes de Farias, Thereza Lyra Collor e Virginia Lyra, representantes da família Lyra, além de Shigeaki Ueki, ex-ministro de Minas e Energia.
Durante o encontro, foram relembradas as trajetórias de figuras fundamentais para o nascimento do programa, como Lamartine Navarro Júnior (in memoriam), autor do documento “Fotossíntese como Fonte Energética”, que serviu de base para as políticas públicas de incentivo ao uso do álcool na mistura da gasolina. Representando o pai, Lamartine Navarro Neto destacou:
“O projeto foi entregue em 1974 e, no ano seguinte, o presidente Ernesto Geisel reconheceu o potencial do álcool como substituto da gasolina. Nenhum outro programa foi tão debatido quanto o Proálcool. Sofremos críticas, mas ele se mostrou essencial para o país. A falta de políticas contínuas, contudo, impediu avanços por um período. Hoje, 50 anos depois, ver este reconhecimento no evento da DATAGRO é uma resposta àquele esforço inicial.”
Na sequência, Celso Torquato Junqueira Franco relembrou o papel do pai, Cícero Junqueira Franco (in memoriam), na estruturação técnica e econômica do programa.
“O Proálcool só se consolidou pela combinação entre base técnica, pesquisa acadêmica e apoio político. A adoção do melaço da cana foi um marco, e a criação da paridade de preços da cana e o pagamento por teor de sacarose foram passos decisivos para a competitividade global do setor. Os desafios de ontem nos ensinam como enfrentar os de hoje”, afirmou.
Outro nome lembrado foi Salvador Lyra (in memoriam), cuja experiência pioneira no uso do etanol derivado da cana inspirou o Proálcool durante a crise do petróleo dos anos 1970. Suas netas, Thereza Lyra Collor, Elizabeth Anne Lyra Lopes de Farias e Virginia Lyra, destacaram o legado ambiental e social deixado por ele:
“Nosso avô foi um homem à frente do tempo, defensor da sustentabilidade e da preservação das áreas produtivas. O Proálcool nasceu também desse ideal: usar a cana não apenas como fonte de energia, mas como vetor de desenvolvimento econômico e ambiental.”
Encerrando o painel, Shigeaki Ueki, ex-ministro de Minas e Energia e figura-chave na formulação do programa, lembrou dos desafios enfrentados à época:
“Quando o plano do Proálcool foi apresentado, muitos duvidaram da viabilidade. A parceria entre governo e empresários foi crucial para transformar uma ideia em política nacional. Hoje, o Brasil é uma potência tanto no petróleo quanto no etanol, e esse duplo protagonismo é motivo de orgulho.”
Painel 2 — Homenagem aos Pioneiros
Após o debate histórico, a conferência seguiu com o painel “Homenagens aos Pioneiros”, que reconheceu personalidades e empresários que contribuíram para consolidar a indústria sucroenergética brasileira.
Entre os homenageados estão Rubens Ometto Silveira Mello, Maurílio Biagi Filho, Homero Corrêa Arruda, Clésio Balbo, Antônio Carlos Previte, Carlos Ubiratan Garms, José Ribeiro, Eduardo Diniz Junqueira (in memoriam), Luiz Octávio Junqueira Figueiredo, Hermelindo de Oliveira, Eduardo de Queiroz Monteiro, Gilberto Carvalho Tavares de Melo, Otávio Lage Siqueira, Henrique Vianna, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, Tirso Meirelles, Luis Arakaki, Luiz Antônio Ribeiro, Henry Joseph Jr e outros.
Essas homenagens simbolizam o reconhecimento ao esforço coletivo de empreendedores, técnicos e formuladores de políticas públicas que fizeram do etanol brasileiro um exemplo mundial de energia limpa, competitiva e sustentável.
Fonte: DATAGRO
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