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Taxação de Trump sobre produtos brasileiros não deve impactar etanol, dizem especialistas

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
3 abril, 2025
em Biocombustíveis, Política e Governo
Tempo de leitura: 4 minutos
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Home Bioenergia Biocombustíveis
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Presidente americano anunciou nesta quarta-feira, 2, uma taxa de 10% para importações do Brasil

A taxação de 10% para os produtos brasileiros importados pelos EUA anunciada nesta quarta-feira, 2, pelo presidente americano Donald Trump não deve impactar as exportações de etanol, segundo especialistas ouvidos pela EPTV, afiliada da TV Globo.

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Isso porque dos 38 bilhões de litros de etanol produzidos por ano no Brasil, cerca de 500 milhões de litros são vendidos para os EUA, pouco mais de 1% do total.

O estado de São Paulo é o principal produtor de cana-de-açúcar do Brasil, sendo que um terço do cultivo está localizado na região de Ribeirão Preto.

Diretor de uma usina em Pitangueiras (SP), onde 42 mil hectares de cana são plantados, Antônio Eduardo Tonielo Filho afirma que a medida não compromete o produto nacional. Segundo ele, apenas o estado da Califórnia compra o etanol produzido pela empresa e não com a finalidade de combustível.

“Esse etanol que é exportado para os EUA é para a Califórnia, onde há um mandato”, afirma e explica: “O etanol brasileiro, em relação ao americano, polui três vezes menos. Então, o que vai acontecer é que vai encarecer o etanol para os californianos; eles vão ter que comprar o etanol mais caro do Brasil”, diz.

De acordo com o consultor de agronegócio José Carlos de Lima Júnior, a taxação de Trump busca equilibrar a cobrança de tarifas entre os países, uma vez que há nações que operam com taxas bem mais altas para os produtos americanos.

“O Brasil mantém uma relação deficitária com os EUA, ou seja, nós mais compramos produtos dos americanos do que nós vendemos. Na prática, o Brasil cobra do etanol importado dos EUA uma taxa atual de 19%. Em contrapartida, os EUA cobram 2,5% do etanol importado do Brasil. Ou seja, você vê uma grande disparidade”, resume.

Taxa abaixo da esperada

Na análise do economista Maurílio Benite, da Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia (Fundace), a expectativa era de que a taxação fosse mais alta, já que havia rumores de que poderia chegar a 35%.

“Quando a gente olha a lista de países que foram apontados como sofrendo novas tarifas americanas, nós estamos no grupo dos menos afetados. O Brasil está entrando em um contexto de todos os países que têm relação comercial com os EUA em que eles alegam reciprocidade, então mais tarifa para quem tarifa mais produtos americanos”, comenta.

Segundo especialistas, os impactos da taxação podem ser sentidos de maneira mais significativa em produtos como café, o próprio açúcar, a celulose e o suco de laranja.

“Nós precisamos observar a natureza dos produtos que serão tarifados. Alguns produtos são muito específicos, as empresas americanas, a priori, não podem diminuir o seu volume de compras, mas outros podem ser substituídos”, diz o economista.

Novos mercados e queda de preço

Mesmo que os EUA deixem de comprar o etanol brasileiro e o produto encalhe, José Carlos de Lima Júnior analisa que o preço interno não deve sofrer alteração.

“Partindo do pressuposto de que não há um novo mercado, o volume que ficará no mercado interno dificilmente criaria uma sobre oferta, ou seja, um grande volume ao ponto de derrubar o valor unitário que nós brasileiros pagamos no litro consumido”, afirma. “Teríamos apenas um grande volume que seria formado, mas não a ponto de derrubar o preço final pago nos postos de combustíveis”.

Apesar de não haver um risco neste momento para o etanol, o CEO da Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana), que representa mais de 12 mil produtores de cinco estados do Centro-Sul do país, diz que a medida pode levar o Brasil a buscar outros mercados.

“Países como Japão, a própria Coreia do Sul, têm importado o etanol brasileiro”, diz José Guilherme Nogueira. “O Japão acabou de aumentar para 10% a sua porcentagem de etanol dentro da gasolina e isso impacta bastante o volume principalmente no volume japonês”.

Ele ainda complementa: “Esperamos que mais países possam fazer essa mesma estratégia e o Brasil conseguir auxiliar esses países. Não que o Brasil vá resolver o problema de todo mundo, mas trazer o etanol como uma solução de descarbonização na mistura com a gasolina é um importante passo”.

Por: Gustavo Oliva | Fonte: G1

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