Companhia afirma que plano tem escopo estritamente financeiro, já reúne apoio de credores com mais de 47% da dívida e não inclui obrigações com clientes, fornecedores e parceiros operacionais
A Raízen anunciou o protocolo de um pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo, como parte de um plano para reestruturar aproximadamente R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras. Segundo a companhia, a medida foi construída de forma consensual com seus principais credores financeiros, com o objetivo de criar um ambiente jurídico mais estável para negociar novos termos e condições de pagamento.
De acordo com fato relevante divulgado pela empresa, o plano já conta com a adesão expressa de credores signatários que representam mais de 47% das dívidas financeiras incluídas na negociação. A partir do processamento do pedido, a Raízen terá 90 dias para alcançar o percentual mínimo necessário à homologação do plano, o que permitiria estender os novos termos a 100% dos créditos sujeitos à reestruturação.
A empresa ressaltou que a recuperação extrajudicial terá escopo limitado e não abrangerá dívidas e obrigações com clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros considerados essenciais para a continuidade das operações. Segundo a companhia, esses compromissos permanecem vigentes e continuarão sendo cumpridos normalmente, conforme os contratos em vigor.
A iniciativa ocorre em meio à crescente pressão financeira enfrentada pela Raízen nos últimos trimestres. No fim de dezembro, a dívida líquida da companhia havia atingido R$ 55,3 bilhões, enquanto o desempenho operacional seguia pressionado por fatores como juros elevados, forte volume de investimentos realizados nos últimos anos, instabilidade climática com impacto sobre as safras e efeitos sobre moagem e preços do açúcar.
No terceiro trimestre da safra 2025/26, a Raízen registrou prejuízo de R$ 15,6 bilhões, pressionada por um ajuste contábil bilionário, alta alavancagem, juros elevados, efeitos climáticos sobre a safra e impactos operacionais, incluindo queimadas que atingiram cerca de 1,8 milhão de toneladas de cana em 2024. Diante desse cenário, a companhia passou a avaliar alternativas para reorganizar sua estrutura de capital, com negociações envolvendo credores e acionistas, além de uma proposta de capitalização liderada pela Shell, de R$ 4 bilhões. Nesse contexto, a recuperação extrajudicial surge como instrumento para viabilizar a renegociação das dívidas, com possibilidade de alongamento de prazos, revisão de condições, conversão de parte dos débitos em ações, venda de ativos e outras medidas voltadas ao reequilíbrio financeiro da empresa.
Por: Redação Visão Agro
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