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Manejo eficiente pode reduzir emissões de óxido nitroso no setor sucroenergético

Maria Reis por Maria Reis
30 junho, 2025
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Estudo conduzido por Emily Aquino Leite analisa o impacto de diferentes cenários climáticos na produção de cana-de-açúcar e suas emissões

Pesquisa desenvolvida na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP demonstra que práticas de manejo agrícola adequadas podem mitigar as emissões de óxido nitroso (N₂O), um dos principais gases de efeito estufa associados à agricultura, e aumentar a sustentabilidade do setor sucroenergético. O estudo, conduzido por Emily Aquino Leite, engenheira agrônoma e pesquisadora, analisou o impacto de diferentes cenários climáticos na produção de cana-de-açúcar e suas emissões.
A pesquisa partiu da crescente preocupação com a contribuição da agricultura para as mudanças climáticas, destacando que, embora a cana-de-açúcar seja eficiente no sequestro de carbono, o uso de fertilizantes nitrogenados e a palhada deixada no campo podem intensificar a liberação de óxido nitroso, gás com potencial de aquecimento global significativamente maior que o CO₂.

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Emily explica que a cana-de-açúcar foi escolhida como foco devido à sua importância econômica para o Brasil, que lidera a produção global, com cerca de 9 milhões de hectares cultivados anualmente. O setor é vital para a produção de açúcar, etanol e para a transição energética, especialmente considerando a mistura de etanol na gasolina. A pesquisadora conta: “Olhamos a produção brasileira como um todo, então consideramos os alinhamentos climáticos específicos para a cultura da cana-de-açúcar para simular nas suas regiões produtivas os três cenários climáticos de circulação global. São cenários socioeconômicos propostos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e cada um deles apresenta diferentes severidades de mudanças climáticas; quando a gente pensa nisso, são maiores concentrações de CO₂ que têm na atmosfera e que impactam no aumento da temperatura, na distribuição hídrica, por fluvialidade e frequência de chuvas”.

Ela revela que é utilizado modelos como Samuca, para produtividade, e Cury, para emissões. A pesquisa constatou que, embora o aumento de CO₂ na atmosfera possa elevar a produtividade da cana em até 10%, as emissões de N₂O podem crescer entre 5% e 30%, dependendo do manejo adotado.

Produtividade agrícola

Emily destaca que, embora as mudanças climáticas e o aumento do CO₂ na atmosfera gerem preocupações sobre a produtividade agrícola, a cana-de-açúcar se mostrou eficiente na fotossíntese, com potencial de aumentar sua produção em até 10% em cenários moderados. Em um cenário sustentável ideal, em que o aquecimento global é controlado, a cultura não atingiria seu máximo produtivo, pois se beneficia do CO₂ atmosférico como fertilizante. No entanto, o estudo alerta que as emissões de óxido nitroso podem crescer entre 5% e 30% devido não apenas à adubação nitrogenada, mas também à palhada deixada no campo, que cria um ambiente úmido e favorece a ação de microrganismos no solo, intensificando a liberação do gás.

Outro foco da pesquisa foi a eficiência no uso da água, já que cenários futuros podem incluir secas severas, aumentando os riscos para a produção. Quanto ao manejo de fertilizantes, o estudo reforça a necessidade de aplicá-los no momento correto, pois dias mais quentes intensificam as emissões de N₂O. Além disso, a pesquisadora sugeriu avaliar destinações alternativas para a palhada excedente, como seu uso na produção de etanol de segunda geração (2G), equilibrando a cobertura do solo e a redução de emissões.

“A palhada da cana-de-açúcar é importante para manter o solo coberto, mas em excesso pode ser um problema. Será que faz sentido retirar essa palhada excedente e direcioná-la para o etanol 2G? Essa é uma discussão relevante para o setor”, pontua a pesquisadora.

A modelagem computacional empregada no trabalho serve como ferramenta para orientar tanto produtores quanto políticas públicas, auxiliando na adaptação do setor às mudanças climáticas e na consolidação de uma transição energética sustentável. Os resultados reforçam a necessidade de equilibrar ganhos produtivos com estratégias de baixo carbono, garantindo a competitividade do agro brasileiro em um contexto de crise climática.

Fonte: Jornal da USP

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