sexta-feira, maio 8, 2026
Visão Agro - A melhor Visão do Agronégócio
  • NOTÍCIAS
  • EXCLUSIVAS
  • NOSSOS EVENTOS
  • QUEM SOMOS
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Visão Agro - A melhor Visão do Agronégócio
  • NOTÍCIAS
  • EXCLUSIVAS
  • NOSSOS EVENTOS
  • QUEM SOMOS
Visão Agro - A melhor Visão do Agronégócio
Nenhum resultado
Ver todos os resultados

Na fronteira, cresce busca por gasolina ‘pirata’

Redação Visão Agro por Redação Visão Agro
24 junho, 2022
em Bioenergia, Economia, Política e Governo
Tempo de leitura: 5 minutos
A A
0
Home Bioenergia
Compartilhe no WhatsappShare on TwitterCompartilhe no Linkedin

Com o alto preço dos combustíveis no Brasil, aumentou na tríplice fronteira a busca por uma opção clandestina e perigosa. Milhares de litros de gasolina saem todos os dias da Colômbia e do Peru em transportes precários para serem vendidos livremente em cidades brasileiras como Benjamin Constant, Atalaia do Norte e Tabatinga, no extremo oeste do Amazonas. O produto estrangeiro, comercializado de forma improvisada em garrafas de refrigerante, chamadas ali de “cocão”, custa até R$ 3,39 mais barato do que o nacional e entra no País sem qualquer controle tributário ou de qualidade.

Se antes já era atrativo apelar ao fornecimento informal em razão da dificuldade de acesso a postos tradicionais, com os sucessivos reajustes no preço nas bombas os negócios do mercado paralelo ganharam impulso adicional. Valdeci Barbosa Nunes, de 53 anos, opera um dos pontos clandestinos na esquina da praça central de Atalaia do Norte. Hoje, chega a vender 100 litros por dia. Ele conta que está vendendo bem mais desde que o preço nacional começou a disparar. Somente neste ano, a Petrobras aprovou quatro aumentos.

“A (gasolina) brasileira está muito cara. Aqui só tem um que vende da brasileira. O resto é peruana mesmo e também colombiana”, disse o comerciante. Com a alta na procura nos últimos meses, ele afirma que o “cocão peruano” já é sua principal fonte de renda, complementada com uma pequena plantação de melancia no fundo do quintal de casa.

O abastecimento dos tanques de carros e motos do lado brasileiro da fronteira é feito com a ajuda de garrafas de refrigerante e um funil. Os dois litros de um “cocão peruano” valem de R$ 10 a R$ 12. Os do colombiano custam entre R$ 13 e R$ 15, o que deixa o preço do litro do combustível extraoficial oscilando entre R$ 5 e R$ 7,50 o litro. A variação depende da distância entre o porto e o ponto de venda. Também há diferença de preços conforme o volume de combustível na garrafa. Custa um pouco menos o cocão que não é entregue cheio até o limite da garrafa.

Já nas bombas oficiais de gasolina em Benjamin Constant, o preço cobrado é de R$ 8,39 o litro, o que faz a versão do combustível nacional, quando vendido em pontos informais em recipientes tipo PET, alcançar os R$ 18 a unidade de dois litros.

ROTINA

A modalidade de abastecimento improvisado faz parte da rotina dos municípios da fronteira há anos porque poupa o deslocamento até os postos. Com a alta descontrolada do preço da gasolina do Brasil, moradores e comerciantes contam que a opção se consolidou como a preferida e a demanda cresceu. Dos cerca de 40 pontos de venda em Atalaia do Norte, só um insiste em vender o “cocão brasileiro”.

Os vendedores dizem que o negócio com combustível contrabandeado dos países vizinhos compensa e eles não são alcançados por fiscalizações. Parte do material clandestino vem em balsas com os demais produtos que abastecem o comércio das cidades da fronteira. Nada tem nota fiscal ou controle alfandegário. A movimentação dos portos de Tabatinga e Benjamin Constant, segundo investigadores federais, é crucial para a lavagem de dinheiro do tráfico de drogas na região. Também por lá saem os peixes raros retirados ilegalmente do Vale do Javari, na Amazônia, região onde foram assassinados o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips.

ATIVIDADE DE RISCO

O produto inflamável fica armazenado dentro das casas em recipientes de plástico. Crianças e adolescentes manuseiam o combustível e trabalham na venda direta aos motoristas. No contexto de extrema pobreza da fronteira, a gasolina ilegal surge como fonte de renda para pessoas muito simples e, ainda, permite que o crime organizado conquiste o respaldo das comunidades locais e dê aparência de ilegalidade a negócios escusos.

A reportagem flagrou a chegada de um distribuidor de gasolina peruana em Atalaia do Norte. A distribuição ocorre sempre pela manhã. O homem, que não quis dar declarações, transporta galões repletos de combustível em uma pequena carroceria, sem nenhuma proteção, e os entrega em casas e em bancas de madeira montadas nas ruas. O distribuidor compra cada litro a cerca de R$ 5 e revende para as bancas na cidade por R$ 6,25. Ao consumidor final, o preço fica por até R$ 7,50.

Em 12 de abril, a prefeitura local publicou um aviso geral à população. Disse que a partir daquela data a fiscalização estaria na rua. “As forças de segurança aumentarão o rigor na fiscalização sobre venda ilegal de combustível nas ruas de Tabatinga. A medida será adotada em razão da constatação de uso de mão de obra em condição análoga à de escravidão e exploração de crianças e adolescentes na venda de forma irregular e sem as devidas precauções de segurança”.

O alerta não mudou muito a rotina clandestina na cidade. Cruzar a fronteira para a Colômbia a partir de Tabatinga é tarefa fácil. Uma rua une as duas cidades. Há um posto formal que separa os dois países, mas é possível usar ruas vicinais para chegar a Letícia, do lado colombiano, e comprar a gasolina pagando com a moeda brasileira.

Em Atalaia do Norte, Valdeci Nunes diz também não é importunado. “A Polícia Federal já veio aqui porque essa gasolina peruana é proibida de vender assim. Mas foi há muito tempo atrás, na época que tinha um delegado valente lá em Tabatinga.”

LOTAÇÕES

Nos municípios da fronteira com a Colômbia e o Peru, as motos são os principais meios de transporte, sejam particulares ou de moto taxistas. Os deslocamentos de uma cidade a outra, de Atalaia a Benjamin, são feitos de táxis que só partem quando alcançam a lotação. Uma distância de 30 quilômetros pela esburacada estrada Pedro Teixeira separa as duas cidades.

Juliano Galate Júnior, de 30 anos, é um dos motoristas que faz o trajeto. No carro modelo Renault Kwid, ele também abre mão do combustível nacional por causa do preço. “Com a peruana o carro fica mais fraco. Eu coloco sempre a colombiana, porque é mais barata que a brasileira e melhor que a peruana”, contou.

Galate Júnior vive a 2,7 mil km de Brasília, de onde o presidente Jair Bolsonaro declarou guerra a Petrobras por conta da alta dos preços dos combustíveis. Nos últimos dias, o presidente passou a falar em CPI para investigar a estatal, enquanto planeja alterar a legislação para conseguir interferir na definição dos preços.

Lá em Benjamin Constant, Galate Júnior prefere ignorar a disputa política e, mesmo sabendo que a gasolina contrabandeada do estrangeiro pode não fazer bem ao motor do seu Kwid. “A diferença é que a (gasolina) brasileira é mais forte.” Ele, porém, prefere não pagar mais caro por isso.

Fonte: ESTADÃO

Leia mais

Biocombustíveis podem adicionar R$ 403,2 bilhões ao PIB até 2030

Lei do etanol reposiciona Paraguai como nova potência da cana na região

Exportação de etanol pelos EUA em março sobe 4% ante fevereiro, para 824,38 mi L

São Martinho anuncia ajustes em oferta de debêntures de R$ 1,1 bilhão

SendTweetCompartilhar
Artigo anteiror

Segurança alimentar: melhor solução para mundo são abertura de mercado, diz Jank

Próximo post

Cana: Bureau Veritas valida primeiro programa de emissão de títulos verdes para produtores do setor

Redação Visão Agro

Redação Visão Agro

Notícias Relacionadas

Be8 projeta suprir 24% da demanda gaúcha por etanol anidro com usina de trigo

Biocombustíveis podem adicionar R$ 403,2 bilhões ao PIB até 2030

8 maio, 2026
Preço do etanol hidratado em queda, mas fatores de mercado sinalizam estabilização dos valores

Lei do etanol reposiciona Paraguai como nova potência da cana na região

8 maio, 2026
Produção de etanol dos EUA aumenta 2% na semana, para 1,113 milhão de barris por dia

Exportação de etanol pelos EUA em março sobe 4% ante fevereiro, para 824,38 mi L

8 maio, 2026
BNDES investe R$ 625 milhões em ampliação de planta de etanol de milho da São Martinho

São Martinho anuncia ajustes em oferta de debêntures de R$ 1,1 bilhão

7 maio, 2026
Raízen desinveste R$ 3,6 bilhões em simplificação de portfólio

Raízen inicia campanha anual de prevenção a incêndios nos canaviais “Quem ama a terra, não chama o fogo”

7 maio, 2026
Açúcar/Cepea: Médias oscilam com força, de acordo com tipo negociado

Açúcar dispara 270 pontos impulsionado pela alta da gasolina e suporte do etanol

6 maio, 2026
Ministro da Agricultura critica bloqueio de crédito rural sem defesa

Ministro da Agricultura critica bloqueio de crédito rural sem defesa

6 maio, 2026
A aposta da FS, de etanol de milho, para crescer no Brasil, segundo o BTG

A aposta da FS, de etanol de milho, para crescer no Brasil, segundo o BTG

6 maio, 2026
Saiba quem são as três maiores produtoras de etanol de milho no Brasil

Etanol de milho do Brasil avança em regulamentação internacional para uso marítimo

5 maio, 2026
Etanol de milho cresce 18 vezes em sete anos no Brasil

A aposta da FS, de etanol de milho, para crescer no Brasil, segundo o BTG

5 maio, 2026
Carregar mais
Próximo post

Cana: Bureau Veritas valida primeiro programa de emissão de títulos verdes para produtores do setor

Mais lidas da semana

  • Trending
Raízen, aumento de capital em US$ 1,5 bi? Quais as fontes de recursos?

Raízen (RAIZ4): O que está por trás da queda de até 7% nesta segunda-feira (27)?

30 abril, 2026
Da ousadia ao pé no freio? O alerta deixado pela Agrishow 2026

Da ousadia ao pé no freio? O alerta deixado pela Agrishow 2026

4 maio, 2026
Segmento de irrigação sai otimista da feira Agrishow neste ano

Segmento de irrigação sai otimista da feira Agrishow neste ano

6 maio, 2026
Veja a lista das oito maiores empresas de tratores agrícolas do mundo

Veja a lista das oito maiores empresas de tratores agrícolas do mundo

23 janeiro, 2026
Onça-pintada é flagrada em área de usina em Minas Gerais

Onça-pintada é flagrada em área de usina em Minas Gerais

6 maio, 2026
LinkedIn Instagram Twitter Youtube Facebook

CONTATO
(16) 3945-5934
atendimento@visaoagro.com.br
jornalismo@visaoagro.com.br
comercial@visaoagro.com.br

VEJA TAMBÉM

  • Prêmio Visão Agro
  • Vision Tech Summit 
  • AR Empreendimentos

Todos os direitos reservados 2024 © A R EMPREENDIMENTOS COMUNICAÇÃO E EVENTOS LTDA – CNPJ: 05.871.190/0001-36

Inovação, tecnologia e transformação digital no Agronegócio.
Prepare-se para o maior evento tech-agro do ano!

Saiba mais no site oficial

Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Bioenergia
    • Biocombustíveis
    • Biogás
    • Biomassa
    • Energia renovável
    • Usinas
  • Mundo Agro
    • Cooperativismo
    • Sustentabilidade
    • Tecnologia
  • Mercado
    • Clima
    • Economia
    • Geopolítica
    • Internacional
    • Negócios
    • Política e Governo
    • Transporte
  • Culturas
    • Algodão
    • Café
    • Cana de Açúcar
    • Fruticultura
    • Grãos
    • Milho
    • Pecuária
    • Soja
    • Trigo
  • Insumos agrícolas
    • Adubos e fertilizantes
    • Biológicos e Bioinsumos
    • Defensivos Agrícolas
    • Implementos Agrícolas
    • Irrigação
    • Máquinas agrícolas
  • Eventos Visão Agro
    • Vision Tech Summit – Indústria do Amanhã
    • Prêmio Visão Agro Brasil
    • Vision Tech Summit – Agro
    • Prêmio Visão Agro Centro – Sul
  • Em destaque
  • Leia mais

Todos os direitos reservados 2024 © A R EMPREENDIMENTOS COMUNICAÇÃO E EVENTOS LTDA – CNPJ: 05.871.190/0001-36